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Da terra de Adriana e Valéria, jogadoras sonham com sucesso no futebol feminino

Fotos: Roberta Aline e Yasmim Cunha/Cidadeverde.com

Jardênia foi a camisa 9 da Seleção de União, município distante 65 quilômetros de Teresina, que criou sua equipe para a disputa da Copa Cidade Verde de Futebol Feminino Sub-17. E é com ela que começo a contar a história de uma cidade que hoje respira esse esporte. 

A jovem vem do povoado Lagoa do Governo e joga futebol desde os 9 anos de idade. O pai era atacante em competições no município - e ela seguiu o mesmo caminho nos campos de várzea. 

Mas se faltavam ídolos em União para que o pai de Jardênia pudesse sonhar, a história mudou. Quando pergunto para a atacante se ela tem alguém no esporte como referência, o primeiro nome é o de Valéria, atacante do São Paulo. 

- Eu conheço ela, ela mora no meu povoado e me inspiro nela também. Ela me ajudava bastante. A gente já chegou a jogar junto em campeonato. 

Valéria não é a única que saiu da zona Rural de União. Além da atacante, que defendeu o Brasil na Copa do Mundo Sub-20 de 2018, o município revelou Adriana, hoje no Corinthians - a jogadora foi cortada da Copa do Mundo de 2019 por conta de uma lesão. 

São os nomes lembrados por Vera, outra jogadora da seleção que atuou na Copa Cidade Verde. A jovem veio do povoado Santa Rita e conta que joga futebol com os meninos desde os 4 anos de idade. Também teve oportunidade de bater uma bola com a Valéria e lembra disso com orgulho, algo como parte do seu currículo de jovem atleta. 

- É meu sonho ser jogadora (...) Já joguei com a Valéria e ela está agora nos times de fora. Joguei com a Adriana também. Todo mundo conhece (elas). (...) Nós acreditamos que um dia nós podemos estar no mesmo lugar que elas estão hoje. 

São poucas as jogadoras do time que vieram da zona Urbana de União. Carol Portela, treinadora da equipe, estima que cerca de 40 meninas foram observadas para a montagem do time Sub-17, mas sabe que a cidade tem muito mais valores que isso. 

E a treinadora sabe também a importância de não deixar o sonho dessas jovens jogadoras morrer. 

- A gente já tem aquele histórico de sair jogadoras reveladas de União, que tem o caso da Adriana, a Valéria e agora a Vanessa (Paysandu-PA) também. E a gente sempre procura incentivar muito o futebol feminino. A nossa força em União é o futebol, especialmente o feminino. 

Hoje, a importância de nomes como Valéria e Adriana para a nova geração do futebol feminino de União é difícil de ser medida. Carol Portela tenta resumir esse sentimento. 

- Pra você sair de um estado pequeno desses, que é o Piauí, e uma cidade pequena, é praticamente... Muita gente joga na cara: "Tu acha que vai jogar em São Paulo?". Mas nós temos histórico de jogadoras boas, excelentes. 


Adriana, do Corinthians, e Valéria, do São Paulo: as duas são de povoados da zona Rural de União (fotos: Agência Corinthians e São Paulo F.C.)

Na noite de terça-feira (5), a seleção de União foi derrotada por 5 a 0 pelo Fluminense (PI), sediado em Teresina, mas com equipe formada por jogadoras de Caxias (MA).  

Lágrimas tomaram conta de jogadoras de União, que foram abraçadas pelas rivais após o jogo que as eliminou do torneio. 

O sonho das meninas do Fluminense continua. Mas o das meninas de União, também.