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Comandante da PM relata emboscada fora do Albertão e culpa torcida organizada

Em entrevista para a TV Cidade Verde, o major Wilton Sousa, comandante do policiamento no Albertão no jogo entre River e América (RN), afirmou que torcedores do Galo fizeram uma emboscada contra rivais nas proximidades do estádio. Citada pelo major como responsável pelo ato, a Torcida Esporão do Galo (TEG) negou ter promovido qualquer ato de violência. 

Na noite de domingo (9), após a partida, vencida pelo América por 3 a 2, torcedores do time potiguar eram escoltados pela PM até o local onde estavam guardados seus veículos - o batalhão da Companhia Independente de Policiamento de Trânsito (CIPTran), ao lado do Albertão.

Na entrevista para o Jornal do Piauí, major Wilton Sousa afirmou ter percebido a presença de 30 torcedores da Esporão do Galo que estariam esperando os visitantes para agredí-los. 

"Eles chegaram a jogar paus e pedras nesses torcedores e na Polícia Militar", disse o comandante, mostrando lesões em uma das mãos - segundo ele, resultado da prisão de um torcedor com calção da TEG. "Eu tô aqui falando coisas que eu presenciei". 

Major Wilton também afirmou ter efetuado disparos de arma de fogo durante a emboscada. Questionado se os tiros foram para o alto, ele respondeu: "Eu atirei para proteger os torcedores do América e a guarnição que comigo estava". 

O estopim do tumulto foi um rojão lançado na arquibancada especial, onde ficam as cabines de imprensa. Sobre esse episódio, o comandante afirmou que um integrante da TEG deixou a arquibancada popular, próxima ao placar eletrônico, e se dirigiu até o fosso para soltar o rojão contra torcedores do América. 

A arbitragem da partida também relatou, em súmula, que o artefato partiu de torcida do River, mas sem especificar se seria uma das organizadas. 

Esporão do Galo nega apoiar violência
Fábio Santos, presidente da Torcida Esporão do Galo (TEG), negou ao Cidadeverde.com, em entrevista por telefone, que a organizada tenha incentivado qualquer ato de violência. Se algum integrante TEG o fez, segundo ele, não tem apoio da diretoria.

Sobre a emboscada, Fábio Santos afirmou que a diretoria da Esporão estava no lado oposto ao da confusão e que houve erro no policiamento ao permitir a saída de torcedores do América-RN enquanto os do River também deixavam o estádio, além do efetivo policial ter sido considerado insuficiente. 

"Todo mundo está vendo que o erro crucial foi não ter policiamento. A torcida repudia isso, a torcida tava do outro lado e a gente não tem controle de todo mundo", disse o presidente da TEG. 

Foto: Roberta Aline/Cidadeverde.com

Fábio Santos também criticou a troca no comando das operações envolvendo torcidas organizadas. Ele afirmou que as ações dos últimos dois anos, sob comando do Major Nivaldo, foram bem sucedidas. 

O presidente da TEG também reclamou que ainda não foi feita reunião entre as torcidas organizadas, a Polícia Militar e a FFP para tratar da temporada 2020, como ocorreu no início dos últimos anos. 

Sobre o rojão, que a polícia afirmam ter partido da torcida do River, Fábio Santos disse que é preciso provas para responsabilizar a TEG. "Pra todo mundo, quem briga é a Esporão. E porque eles (torcedores do América) agrediram torcedores (do River)? Lá fora, eles tomaram camisa de uma mulher. É complicado...", completou.