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Cobrança por novo calendário do futebol tem de partir do Nordeste

Foto: Victor Costa/River A.C.

No fim de semana, a discussão entre torcedores no Piauí foi se o River deveria ter escalado ou não o time reserva contra o Imperatriz (MA), pela Copa do Nordeste, no último sábado (22). 

O Galo foi com reservas e perdeu por 1 a 0, fora de casa, podendo ter até empatado com uma bola no travessão. Dadas as condições, dos danos, o menor. 

Mas essa discussão, que vem e volta, tem o foco errado. 

Não se pode crucificar qualquer clube que priorize um jogo que o dará R$ 1,5 milhão na Copa do Brasil em caso de classificação. 

Também não se pode querer que um clube como o River, que ainda busca se firmar no Campeonato Brasileiro, tenha dois times a altura para disputar três competições simultâneamente. 

O problema não é o clube. É o calendário. 

É o calendário de torneios que os clubes buscam para terem um orçamento melhor no ano seguinte. Mas que os sufoca quando chega a hora de entrar em campo e usufruir do direito conquistado. 

É a mesma tríade Estadual - Copa do Nordeste - Copa do Brasil que fez o Altos se desgastar em campo e terminar a fase classificatória do Campeonato Piauiense de 2019 na terceira posição - no regulamento de 2020, o Jacaré não teria ido para a decisão do torneio. 

No Maranhão, o Sampaio Corrêa sequer passou de fase na Copa do Nordeste e ficou sem o título estadual no ano passado. Coincidência?

O mesmo calendário que faz o Bahia jogar o campeonato estadual com Time B. E faz o Fortaleza reclamar da jornada praticamente sem descanso entre uma partida e outra. 

O G7 do Nordeste - Bahia, Vitória, Ceará, Fortaleza, Sport, Náutico e Santa Cruz - pode ter condições de montar elencos para os três torneios sem desgastarem seus atletas. Outros clubes que disputem as mesmas competições e não estejam ao menos na Série B do Brasileirão serão sufocados no começo da temporada. 

E o único torneio regional do calendário nacional é a Copa do Nordeste, uma luta de décadas da qual os clubes da região não querem - e não podem - abrir mão. 

Por isso mesmo, a discussão por uma mudança no calendário da CBF deveria partir do Nordeste. 

Um calendário que preserve os estaduais, mas garanta que todos os torneios sejam disputados sem sacrificarem os jogadores. 

Está claro que todos os torneios do futebol brasileiro não cabem em 365 dias. É preciso reduzir, adaptar, reformular. 

Os estaduais precisam ser mesmo no começo do ano? Clubes do Nordestão seriam obrigados a jogar o estadual desde o início? A Copa do Nordeste não poderia ser no segundo semestre ou até durante todo o ano? 

É preciso questionar possibilidades para, a partir delas, encontrar um caminho. O fato é que o modelo atual beira a falência. E quem mais precisa dessa mudança hoje é o futebol nordestino.