Cidadeverde.com

Opinião: Com futebol parado por mais um mês, CBF precisa amparar clubes

Foto: Fábio Lima/Cidadeverde.com

Na última segunda-feira (30), o Governo do Piauí prorrogou as medidas restritivas para evitar aglomerações até 30 de abril. 

Isso inclui veto para a realização de eventos esportivos em todo o estado. 

Se para algum clube, havia expectativa de que a bola voltasse a rolar em abril, é preciso encarar de vez a realidade e entender que isso talvez não aconteça sequer em maio. Junho? Talvez. Sejamos otimistas. 

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus impacta todos os setores da sociedade e começou a transformar o calendário dos esportes em todo o mundo. 

O Jogos Olímpicos foram adiados para 2021. O Mundial de Atletismo agora será em 2022. Já se fala na temporada da Fórmula 1 só ser concluída no ano que vem. 

No Brasil, parece que muita gente no futebol não entendeu o que se passa. Nos bastidores, o trabalho que se tem notícia é para construir cenários de retomada de competições, sem ter qualquer certeza de quando elas poderão acontecer. 

As notícias mais recentes dão conta de garantias da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que teriam sido feitas a dirigentes, com base em uma expectativa de realização de competições. Tudo baseado no achismo otimista de que vamos sair dessa o quanto antes. 

O desejo de que a necessidade de isolamento social, de que tudo isso acabe, é meu, é seu, é de todo mundo. A certeza de quando isso vai acontecer, ninguém tem. 

Por isso, a maior certeza que a CBF deveria dar não é por datas. É de ajuda para quem depende diretamente dos eventos realizados por ela e seus filiados. 

No Piauí, sem campeonato estadual, não há previsão de pagamento de salários para jogadores, comissão técnica e outros funcionários de clubes. O caminho natural é a demissão de todos eles - situação que já ocorre em outros estados. 

No Altos, por exemplo, os jogadores estão de férias. Quando voltarem, no início da segunda quinzena de abril, não terão jogos para disputar. 

O River liberou atletas para aguardarem em casa, mas segue com dinheiro bloqueado por pendências judiciais. Conseguirá pagar os jogadores sem ter bilheteria dos jogos?

E estamos falando dos dois times que vão disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. Para outros seis clubes, a temporada chega ao fim quando o Campeonato Piauiense terminar. 

Quem vai amparar essa massa de desempregados? Vão ter de aguardar os R$ 600 de ajuda a ser concedida pelo Governo Federal?

Na Inglaterra, foram antecipadas cotas de participação de todas as divisões nacionais inferiores. Nas Série C e D, não existe cota. O mesmo vale para muitos estaduais pelo Brasil. 

A CBF não se pronuncia oficialmente, mas segue em conversas nos bastidores. Precisa fazer algo mais efetivo que isso.