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Opinião: Queda de Mandetta mexe com futebol, mas times devem voltar a jogar na hora certa

Foto: Anderson Riedel/PR

 

A mudança de comando no Ministério da Saúde mobilizou também o meio esportivo, especialmente o do futebol

E não é para menos. Luiz Henrique Mandetta caiu do comando do ministério, entre outras coisas, porque defendia medidas de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) é reforçado para suportar a demanda de casos de Covid-19. 

Há um mês, o Jair Bolsonaro já havia classificado como "histerismo" o veto para a realização de partidas de futebol. Logo, se demitiu seu ministro, espera-se que o substituto venha para se alinhar ao discurso do presidente da República. 

Alguns dirigentes esportivos têm apoiado a suspensão dos campeonatos, mesmo que amarguem prejuízos. Outros ainda esperam soluções para, pelo menos, retornarem aos treinamentos e jogos com portões fechados. 

Com a queda do ministro Mandetta, a expectativa de parte dos dirigentes é por uma nova orientação que permita a retomada do futebol, com medidas de segurança.  

Mas ainda há divisão entre os clubes. No Rio de Janeiro, o Fluminense e Botafogo ampliaram as férias dos jogadores até o fim de abril. O Flamengo e Vasco, ainda não - pelo menos até essa postagem. 

Na quinta-feira (16), o Esportivo, da cidade de Bento Gonçalves (RS), retomou os treinos, esperando o reinício do Campeonato Gaúcho. Um decreto da prefeitura limita a presença de 30 pessoas nas atividades do clube. 

Nas redes sociais do Esportivo, me chamou a atenção um comentário: "Estão treinando pra jogar contra quem?".

 

 

O Esportivo busca ficar pronto para quando o Gauchão for retomado. Ninguém sabe, no entanto, quando qualquer estadual irá recomeçar. 

Farei meu comentário sem entrar no aspecto saúde. Vamos falar somente do aspecto competitivo. E nesse sentido, a decisão do Esportivo não parece ser a mais adequada. 

Quando houver data certa para a retomada do Gauchão, os outros clubes vão pedir um prazo para a retomada dos treinos. 

E vale lembrar que medidas de isolamento podem precisar ser reforçadas lá na frente, com necessidade de interromper até mesmo torneios com portões fechados. 

Vale a pena voltar a treinar sem saber quando se poderá jogar, e até mesmo se será preciso suspender de novo esses treinos?

O melhor seria os clubes estarem unidos, como no Paulistão. Os times decidiram que só vão voltar a treinar na mesma época, pra garantir o equilíbrio no retorno dos jogos. 

Outra questão é contar com a retomada do Gauchão sem saber se outros estaduais vão voltar no mesmo período. Se um torneio recomeçar antes do outro, isso pode gerar um descompaso em relação ao calendário da CBF. 

Há a chance de gaúchos ficarem mais tempo treinando sem jogar enquanto esperam pelo início do Brasileirão, por exemplo - e também há risco de serem obrigados a interromper os treinos nesse período de espera. 

Se o Governo Federal reclama dos estados e prefeituras por medidas tomadas isoladamente, que podem prejudicar a logística para abastecimento, por exemplo, decisões isoladas de clubes e federações podem surtir efeito parecido no calendário do futebol. 

É preciso unidade. E a CBF tem de entrar nessa jogada e coordenar a retomada do futebol na data certa, quando isso for seguro para atletas e demais pessoas que trabalham no esporte, e torcedores - no caso de jogos com presença de público. 

E que me desculpem os clubes brasileiros, mas esperar o retorno das competições em maio me parece ser um sonho meio distante - com muita sorte, teríamos jogos com portões fechados lá pelo fim do mês. 

O comentário é o tema do Cidade Esportiva desta sexta-feira (17):