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O que pode mudar no futebol do Piauí com as novas regras para transmissão de jogos?

Foto: Roberta Aline/Cidadeverde.com

Nesta semana, uma Medida Provisória, publicada pelo presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL e hoje sem partido), alterou a legislação sobre direitos de transmissão de jogos de futebol.

Antes, a negociação envolve os dois clubes participantes do jogo. Com a mudança, o direito de transmissão é exclusivo do mandante.  

Acreditou-se que, num primeiro momento, a alteração favoreceria o Flamengo (RJ) na transmissão de jogos do Campeonato Carioca. O clube não assinou contrato com ninguém e pretende mostrar suas partidas como mandante. 

Logo surgiram inúmeras dúvidas e interpretações divergentes do texto. Até que se prove o contrário, os contratos assinados antes da Medida Provisória continuam valendo. E os clubes venderam os direitos de suas partidas como mandante e visitante. O Flamengo não joga sozinho. Logo, poderia ele mostrar no Youtube a partida com um adversário que fechou contrato com ao Globo? A MP diz que sim. O contrato assinado antes da MP, e ainda válido, diz que não. 

Levantei essa questão no Cidade Verde Notícias desta sexta-feira (19), na Rádio Cidade Verde. Você pode ouvir na íntegra:

Aqui no blog, quero ampliar a discussão feita na rádio. E se aplicarmos essa mudança no futebol do Piauí?

Para competições com contratos em vigor, como Copa do Nordeste, Campeonato Piauiense e torneios da Federação de Futebol do Piauí (FFP), nada deve mudar no momento. 

No futuro, no âmbito estadual, o River pode sair fortalecido. O Galo há anos faz um trabalho mais contiunuo de marketing e tem engajamento de sua torcida como fator favorável para negociar os direitos apenas das suas partidas. 

Na região, a mudança na legislação pode favorecer clubes nordestinos em conjunto. A Liga do Nordeste já existe e poderia negociar os direitos de transmissão não só da Copa do Nordeste, como também da participação das equipes em competições nacionais. 

Na hora de ir para o cenário nacional, a coisa complica. Da mesma forma que o River pode se sobressair no Piauí por ter maior engajamento, times mais populares, como Corinthians e Flamengo, tendem viver a mesma situação. Poderão, inclusive, se recusarem a formar uma liga com outros clubes para negociarem os direitos de transmissão, por entenderem que irão faturar mais sozinhos. E com mais dinheiro, a superioridade em campo será consequência. 

Mas temos o jogo do ano, a Copa do Brasil. Imagine a nova legislação aplicada ao jogo entre Altos e Vasco, realizado em fevereiro? O clube hoje tem uma cota de participação pela sua posição no ranking nacional. Superar o valor obtido, ou não receber menos, dependeria da negociação feita pelo próprio Jacaré. 

Esse é outro ponto a ser levado em conta, em especial se a intenção do clube piauiense for mostrar seus jogos na própria página na internet: custos de equipamentos, equipe de trabalho... É preciso assumir todas essas despesas. 

Mas imagine a regra dessa MP aplicada na Copa do Brasil: os grandes clubes aceitariam por quanto tempo as duas primeiras fases apenas com jogos de ida e eles como visitantes, com os times pequenos lucrando as custas de suas imagens? 

São vários cenários e inúmeras perguntas que só serão respondidas com o tempo. Primeiro, o fim dos contratos em vigor. Depois, se a MP for mantida, saber a condição das empresas após a pandemia e o poder de negociação das agremiações esportivas. 

Como a Medida Provisória tem prazo de no máximo quatro meses, precisa de votação no Congresso Nacional para continuar valendo. Será se o projeto do futebol fura a fila de prioridades da pandemia e é votado antes do fim de 2020? Não duvidem do Brasil, é possível que sim. Ainda mais que a MP tranca a pauta do Congresso no terceiro mês de vigência.