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Opinião: amistoso evidencia preocupações de Flávio Araújo no River

Fotos: Roberta Aline/Cidadeverde.com

O futebol voltou de máscara no Albertão. 

Mas não foi só o retorno do futebol cinco meses após o início da pandemia. Foi a volta do River, cercada de expectativa por diversos motivos. 

O time estava mal das pernas antes do coronavírus aparecer. Flávio Araújo, ídolo tricolor, voltou com a missão de resolver esse problema e conduzir o Galo a um novo acesso para a Série C do Brasileirão. 

Contudo, o treinador deu sinais, em suas últimas entrevistas, de que algumas coisas precisam ser resolvidas. Questões que ficaram evidentes no amistoso deste sábado (5), com o Guarany de Sobral (CE). 

Treino é treino, jogo é jogo
A primeira preocupação do treinador era justamente a falta de amistosos. Por conta da pandemia - risco de contágio, custo de exames... - a diretoria não conseguia encontrar adversários. O Guarany apareceu para salvar a preparação riverina, mas Flávio Araújo queria três jogos ainda em agosto. 

Nos 96 minutos do teste, ficou claro que o River precisa de mais ritmo de jogo. Isso explica a reclamação de Flávio Araújo após o árbitro dar apenas um minuto de acréscimo no primeiro tempo - foram cinco na etapa final. 

O treinador disse que queria ver seu time atuar como se a partida valesse três pontos. Mas o amistoso teve cara de treino. Por mais que, no início, o River tenha se sobressaído com o gol de Wendel, aos 11 minutos, não transformou a superioridade em mais chances de gol. 

Antes do amistoso, o River anunciou que pretende fazer enfrentar o Fluminense (PI). Depois da vitória sobre o Guarany, é capaz do novo protocolo pedindo autorização para o jogo-treino seja o primeiro documento entregue na Prefeitura de Teresina após o feriadão - se já não tiver sido enviado antes. 

Cadê os reforços?
Na mesma entrevista na qual lamentou a falta de amistosos, Flávio Araújo também pediu reforços em quatro setores. Isso foi no dia 27 de agosto. 

De lá para cá, o clube confirmou apenas o atacante Wesley Smith, que não poderá disputar os primeiros jogos da Série D. Com contrato no futebol asiático, o jogador só será regularizado em outubro, quando for aberta a janela de transferências. 

Flávio Araújo precisa que os reforços cheguem o quanto antes, para encaixar logo essas novas peças. Afinal, restam duas semanas para a estreia na Série D. 

Pandemia não acabou
Agora algo que o treinador não comentou: mais do que entrosamento, o River também precisa se preparar para possíveis lesões (bate na madeira) e até desfalques por covid-19 (bate na madeira três vezes). 

O teste positivo de um jogador na véspera do amistoso foi negativo no segundo exame, mas indica que o atleta já pode ter sido infectado pelo coronavírus e se recuperou. É um caso para o departamento médico tricolor investigar, mas mostra que os protocolos podem reduzir riscos, e não eliminá-los. 

O torcedor tricolor fica feliz com a vitória, mas é mais exigente que isso. O River é outro time, diferente daquele que brigava contra o rebaixamento no Campeonato Piauiense antes da pandemia. O recomeço exige tempo, mas depende também das condições apresentadas durante esse tempo. 

Faltam duas semanas para a estreia na Série D. E faltam ritmo de jogo e peças no elenco.