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A saída melancólica de Jankel Costa

Jankel Costa agora é ex-presidente do Esporte Clube Flamengo, o que acalma grupos opositores e boa parte da imprensa, com a qual a diretoria passada não conseguia mais manter qualquer tipo de diálogo - por sinal, creio que só cinco veículos de comunicação acompanharam a eleição no domingo, que aclamou o vereador Tiago Vasconcelos como novo presidente rubro-negro. 

Foto: Thiago Amaral/Cidade Verde

 

No Clube do Tigrão, na avenida Presidente Kennedy, perto de onde já foram as sedes de River e Piauí, Jankel Costa comandava a assembleia geral ouvindo as pancadas no portão. Eram torcedores e alguns sócios impedidos de acompanharem a votação por supostamente estarem em débito com o clube. 

Os torcedores não conseguiram derrubar o portão, mas não foi preciso. Descobriram que bastava empurrá-lo para o lado que os seguranças não dariam conta. A eleição foi invadida e Jankel Costa ficou acuado no bar do clube. Quem antes trabalhava impedindo a entrada teve de proteger o dirigente. 

Tiago Vasconcelos conseguiu acalmar os ânimos dos rubro-negros e a eleição foi retomada. Jankel Costa anunciou o resultado e falou em tom de despedida:

- Nós temos consciência do nosso trabalho. Em termos de futebol, o Flamengo teve muitas conquistas. E os torcedores rubro-negros, se não ficaram satisfeitos em função da situação da sede, mas com certeza ficou e vibrou muito com o Flamengo. Momentos memoráveis como o empate com o Santos, como a Copa Piauí de 2013, que ganhamos em cima do nosso maior rival por 3 a 0, esses aí ninguém vai apagar.

Depois do tricampeonato em 1986, 1987 e 1988, o Flamengo só conquistou o Campeonato Piauiense em 2003 e 2009. Mas se a gestão de Jankel Costa comemora o empate com o Santos na Copa do Brasil de 2013 como memorável, eu não digo mais nada.

Eu poderia ter questionado outras coisas, mas a manhã já havia sido conflituosa demais. Além disso, Jankel parecia disposto a falar. Perguntei, então, o que ele agora iria fazer da vida.  

- Eu nunca vou deixar de ser torcedor rubro-negro. Obviamente vou agora dedicar um pouco a minha família que nesses últimos quatro anos realmente eu deixei meus amigos, deixei minha família, deixei minhas coisas particulares. E agora eu vou dar uma retomada, mas irei aos estádios e contribuirei com o Flamengo na medida que eu puder. 

Na sequência, Jankel Costa foi interpelado por um torcedor, que reclamou ser sócio do clube e não saber onde pagar as taxas para então estar apto a votar. O tom deixou de ser amistoso e o dirigente respondeu se despedindo. Voltou para dentro do bar, onde ficou por mais um tempo até os ânimos se acalmarem. 

Ele tentou sair discretamente, mas teve de ouvir outros xingamentos e reclamações. Seguiu em direção ao carro e arrancou com os gritos de "já vai tarde". Adversários comemoraram o momento. Alegaram que Jankel Costa não saiu por cima. A novela, que o grupo Resgate afirma ter começado com uma nota aqui no blog, chegou ao fim. Tomara que em uma nova temporada os capítulos não sejam tão dramáticos como os últimos anos.