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Lesão tira Joelma Sousa do Mundial de Atletismo, mas não apaga sonho olímpico

Fotos: Luiz Pires/FOTOJUMP

Desafio é uma palavra que corre ao lado de Joelma das Neves Sousa. O câncer no ovário, descoberto em 2005, ela já deixou para trás faz tempo. Os recordes do norte e nordeste ela também já superou. Agora, a um ano dos Jogos Olímpicos, ela ganhou uma companhia indigesta: a lesão sofrida nos Jogos Pan-Americanos, no dia 22 de julho, deve tirar a corredora das pistas por três meses. Não há tempo para voltar antes do Mundial de Atletismo, que acontecerá entre 22 e 30 de agosto em Pequim, na China.  

A lesão assustou. Joelma caiu sozinha nas eliminatórias dos 400 metros rasos e saiu da pista em cadeira de rodas. Nada que abale a perseverança e o otimismo dessa maranhense de 31 anos, que competiu pelo Piauí até ser convidada para treinar em São Paulo. 

No litoral paulista, onde mora, Joelma falou da expectativa para Rio 2016. Disse que vai buscar o índice nos 400 metros rasos e ainda que tenha ajudado o Brasil a conquistar a vaga olímpica no revezamento 4x400m, não se considera classificada para a Olimpíada, já que a vaga é do país e não das atletas que obtiveram a classificação. 

Na Esportiva - Não dá para começar esse bate papo sem perguntar sobre o Pan. Os médicos já avaliaram sua lesão? Quanto tempo deve levar para você se recuperar? 
Joelma Sousa - Sim, lesão no (músculo) adutor da coxa esquerda. Uns três meses. 

Então não dá para você voltar a tempo do campeonato mundial. Você acha que isso vai prejudicar a preparação para a Olimpíada?
Não, porque tem tempo para recuperar antes. Agora é seguir com o tratamento ortopédico e fisioterapêutico. Como todas as provas que passei na vida e carreira, essa será mais uma que com fé em Deus e com apoio da família e amigos vou novamente superar.

Você ainda vai buscar o índice para os 400 metros rasos ou vai focar só o revezamento?
O revezamento o Brasil já tem a vaga, ou seja, a vaga para integrar a equipe do revezamento está em aberto para qualquer atleta entrar. E com fé em Deus vou estar tanto no revezamento como no individual, pois venho trabalhando para isso e vou continuar.

Você começou a despontar antes do Pan de 2007. Eu lembro que seu sonho era disputar o Pan no Rio. Naquela época não deu. Já se foram uns 8 anos e hoje você tem muito mais chances de ir para o Rio, só que em uma Olimpíada. Você lembra dessa época e qual a sensação depois de tanta coisa ter mudado na sua vida?
Sensação que estou no caminho certo, pois não é fácil chegar em um Pan, Mundial e Olimpíada. E hoje tenho a certeza que não é mesmo. Tenho certeza que cada preparação e disputa é um aprendizado não só pra vida de atleta, mas como conquista pessoal. Que a gente traçou aquela meta é conseguimos até onde deu.