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Mudar só horário de jogo não resolve

Fotos: Wilson Filho/Cidade Verde

A decisão da Justiça do Trabalho de proibir jogos de futebol no Piauí antes das 17h vai mudar não só a partida entre River e Lajeadense (RS), marcada para 16h30 de segunda-feira (12). Deve mexer com a Série B do Campeonato Piauiense e outros torneios. 

É uma vitória para os atletas, sem dúvida. Inclusive por obrigar a presença da ambulância, que tem chegado atrasada em alguns jogos no Albertão, e itens de segurança como o desfibrilador. Mas ficaram certas incoerências. 

Jogar antes de 17h não pode. Mas treinar, pode? O treino em Teresina começa sempre por volta de 15h45. E esse horário não é tido por aqui como o "fim do mundo". Eu mesmo sugeri que o jogo com o Lajeadense fosse marcado para mais cedo, 16h

E se o jogo começar às 8h da manhã, não pode? A decisão proíbe qualquer atividade antes de 17h. 

Falo do turno matutino porque nele ocorrem várias competições amadoras. E as manhãs poderiam ser alternativa para estádios sem iluminação, razão de muitos jogos no interior do Piauí serem marcados para 15h45. 

Outra questão: e fora do B-R-O-Bró, não dá para marcar jogos nem para 16h? Esse nosso calor dura o ano todo? A própria CBF viu que há limite para marcar jogos às 11h da manhã no Sudeste, mas percebeu que em outras épocas é possível fazer. 

E o torcedor que vai ao estádio, o que pensa disso tudo? Para alguns, talvez o melhor fosse começar a partida só às 18h.

A liminar concedida pela juíza Basiliça Alves da Silva, do Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região, é bem clara e direta. Não pode ter jogo antes de 17h. Ponto. É o lado negativo de ser uma decisão ao invés de um acordo entre todos os envolvidos, no qual todos esses pontos levantados aqui pudessem ser contemplados. Algo mais específico, que levasse em conta diversas nuances do esporte, dos eventos e da necessidade de bem estar dos competidores. Acordo que o Ministério Público garante ter tentado e que a Federação de Futebol do Piauí alegou suas razões para não acatar.

O jogo às 15h entre Tiradentes e Viana (MA), pelo Brasileirão Feminino, foi a prova de que a questão do horário precisa ser revista, independente de outros fatores além do calor que possam ter contribuído para os nove desmaios de atletas e dirigentes maranhenses no Albertão. Mas essa questão não se resolve só obrigando a mudança de horário de partida e determinando que a ambulância esteja lá dotada de equipamentos. 

É óbvio que se precisa pensar na saúde do atleta. Ninguém quer esperar alguém morrer para tomar providências. Mas a coisa vai além disso, é mais complexa. Por exemplo, você torcedor de Campo Maior, o que é mais fácil acontecer: colocarem torres de iluminação para jogos noturnos no Deusdeth de Melo ou Caiçara e Comercial desistirem de competir por não poderem jogar antes das 17h em seu estádio?

Precisamos aprofundar mais essa discussão. Digo e repito que a questão do horário precisa ser revista, sempre precisou. Não é porque vivemos no Piauí que devemos nos obrigar a enfrentar altas temperaturas. Porém, os desmaios recentes precisam ser o ponta pé para uma solução mais completa. Essa primeira decisão não é o apito final.