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River 3x0 Lajeadense - Falta um jogo para a Série C... E 5 para o título.

Eu pedi uma goleada para dona Anatália. Já me daria por satisfeito com 4 a 0 para amenizar ausência da avó materna, de quem tive de me despedir horas antes do jogo. Razão da demora nas atualizações aqui do blog, pela qual peço desculpas aos leitores.

Não fui o único a rezar ou pagar promessa. Mas no final, tanta oração não adiantaria nada se o time não estivesse em uma "tarde iluminada", como disse outra vez o meia Júnior Xuxa. 

E como foi iluminada. De sol e de gols. Certamente uma das melhores atuações de uma equipe de futebol piauiense em décadas. Nem meu avô, em meio ao luto, resistiu. Ao meu lado, de frente pra TV, mandava o time avançar.

Fotos: Wilson Filho/Cidade Verde

Nem mesmo aquele River que perdeu por 4 a 3 para o Vitória da Bahia, na Série C do Brasileirão de 2006, que empolgou tanto com a dupla Pantico e Pantera, jogou tanta bola. 

É preciso respeitar o Lajeadense no jogo de volta. É preciso ter foco para confirmar a classificação para as semifinais da Série D e, consequentemente, o acesso para a Série C de 2016. 

Mas depois do jogo de ontem, fica difícil discutir só a vaga para a Série C. É preciso analisar as chances de título. Estamos contando 90 minutos para o primeiro acesso de uma equipe piauiense em divisões nacionais do futebol brasileiro. Porém, a se repetir a atuação de ontem, também estamos perto de um título nacional. 

Nem parecia que o time enfrenta problemas com salários atrasados. Se ocorreram erros ou problemas, ficaram para trás quando o time entrou em campo. Tudo foi limpo após a chuva de papel higiênico proporcionada pela torcida - sem piada pronta, por favor. 

A disposição tática foi impressionante. O time não dava espaços. Não se pode culpar o calor ou dizer que o Lajeadense jogou muito mal. O River nem deixou que essas suspeitas fossem levantadas.

Foi 3 a 0, mas poderia ter sido 7 a 1 - no segundo tempo, o capitão Índio tirou de cima da linha uma bola que já havia passado por debaixo das pernas do goleiro Naylson, no melhor lance dos gaúchos. Do outro lado, duas bolas na trave e grandes defesas do goleiro Giovani impediram uma goleada ainda maior. 

O gol de Amarildo foi lindo. A cabeçada do baixinho Fabinho em meio a alta zaga gaúcha foi de impressionar. Porém, para elogiar todo o time - que jogou muito, quero destacar a atuação de Eduardo. 

Atacante vive de gols, e passar 10 jogos sem marcar é ruim. Mas Eduardo ontem foi um dos melhores em campo, se não tiver sido o melhor. Quem vê só os melhores momentos na TV não sabe o quanto o atacante atuou na defesa. Nos escanteios do Lajeadense, ele estava lá para afastar o perigo, e depois corria para o contra-ataque. E o jogador continuou a abrir espaços, puxando os marcadores para que outros tricolores surgissem para finalizar - o que Eduardo já tem feito, mas nem todos notam a importância. 

Eu já pensava em fazer esse registro ainda no primeiro tempo, quando o goleiro do time gaúcho teve de defender duas vezes um chute do jogador tricolor. Mas veio a etapa final e a cereja do bolo, ou talvez a pá de cal: na grande área, Eduardo driblou dois e deixou o goleiro do Lajeadense no chão. Chutou no gol, no cantinho. Tinha um jogador chegando para tirar, já bem perto, e mesmo assim não deu para ele.  

Seria injusto para Eduardo não coroar essa atuação com um gol. E, com o perdão aos fãs de Amarildo, que chutou após deixar três marcadores para trás, o terceiro gol do jogo foi ainda mais bonito. Pela importância, deveria concorrer a uma placa no Albertão. 

Agora é hora de controlar a euforia. Dia 19 de outubro, Dia do Piauí, pode ser o dia do River. Foco, força e fé. Como dizem os próprios jogadores, vai dar certo.