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Lajeadense 1x1 River - Saímos do fundo do poço. Agora é Série C

Foto: Elziney Santos

Torcedores mais antigos, Pintinho, Pirró e Cabeça de Pato dirão que viveram para ver esse momento. 

Satisfeito, Dídimo de Castro cogitaria até se aposentar após quatro décadas de jornalismo esportivo. Mas seu parceiro Carlos Said não deixa. Para o Magro de Aço, aos 84 anos, foi só o começo. 

Há quem diga que aquele torcedor do Vasco, São Paulo e outros times tirou a camisa vermelha do River do fundo do baú. Ou já correu para a loja para comprar uma nova. 

A vergonha foi embora e o orgulho tomou seu lugar. Temos um time entre os 60 melhores do Brasil. Parece pouco, mas é tanto que gerou uma alegria que não coube nas carreatas que se espalharam por Teresina na noite de segunda-feira, em pleno Dia do Piauí. 

O garoto agora pode dizer sem medo aos colegas de fora que seu estado tem um time na Série C. No futebol, deixamos a lanterna, saímos do fundo do poço, e todas aquelas outras comparações que políticos gostam de fazer para dizer que o Piauí cresceu. 

Nesse esporte, conquistamos o mínimo de dignidade, o que faltava para sermos respeitados até mesmo no Nordeste. 

O River venceu a tudo e a todos. Inclusive nosso pessimismo, rebocado ano a ano com uma sequência de fiascos que explicam qualquer desconfiança. 

Sim, porque não me venham agora dizer que no começo todos acreditavam no River. A campanha na Copa do Nordeste foi até satisfatória. O título estadual, incontestável. Mas o início de Série D não convencia ninguém. 

Houve quem pedisse a cabeça do técnico Flávio Araújo e dos atacantes. Torcida, dirigentes e imprensa: ninguém escapa. Feliz o presidente Elizeu Aguiar, que teve pulso e segurou o grupo. 

O elenco riverino ainda venceu três meses de salários atrasados, que começaram a ser quitados com o apoio da torcida. 

O goleiro Naylson perdeu o pai na reta final do Campeonato Piauiense. O meia Júnior Xuxa nem pode se despedir da avó que o criou. 

Foto: Érica Paz/River A.C.

Naylson entra em campo vestindo a camisa com a foto do pai, a mesma usada para atravessar o Albertão de joelhos

A série de episódios é extensa. Histórias daquelas que fazem qualquer um acreditar que estava escrito. E deu certo. 

Agora é hora de escrever uma nova história. O título da Série D seria perfeito. O acesso para a Série B no ano que vem, um sonho. Mas vamos colocar os pés no chão e subir um degrau de cada vez. Agora é Série C.