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River 2x0 Ypiranga (RS) - faltam três jogos para o título

Fotos e vídeos: Fábio Lima/Cidade Verde

Chegou em cima da hora e não comprou ingresso antecipado outra vez, né torcedor? Dessa vez entrei no Albertão como qualquer pessoa. Cheguei uma hora antes do apito inicial e passei 20 minutos na fila só para entrar no estádio, no setor de arquibancadas das cabines de imprensa. O jogo começou e ainda tinha muita gente chegando. 

Muita gente. Mais de 20 mil pessoas de todas as idades. Muitos pais e mães com seus filhos, alguns ainda de colo. Os garotos terão muita coisa para contar na escola segunda-feira. 

Vão dizer "caramba, tu perdeu o jogo". Irão falar de Fabinho e Eduardo, os nomes do River na partida. Lembrarão de Léo Olinda, que entrou no segundo tempo, mas o chamarão de "Ronaldinho Gaúcho", por conta do cabelo comprido. Ou porque o jogo era contra gaúchos. Vai saber...

As crianças viram bandeiras do Piauí usadas como manto. Bandeiras do River de todos os tamanhos. Uma delas empunhada por um torcedor com a camisa do Flamengo carioca. Ele pediu para posar para a foto e bateu no peito para dizer: "aqui é pelo Piauí". 

Vocês pensam que é fácil escrever essas coisas. Isso emociona, rapaz. Em 2025 a gente conversa para vocês verem que o impacto desse momento no futebol, no esporte e na vida do piauiense vai ser muito maior do que a gente imagina. 

A banda executou o Hino Nacional, cumprindo lei estadual. Mas se tocasse em seguida o Hino do Piauí, o estádio viria abaixo - não que eu queira que o Albertão desabe, mas fica a dica. 

A torcida tratou de deixar claro que a casa não era dos gaúchos e criaram um ambiente um tanto hostil. Já bastasse o clima, que para nós estava até bom, os jogadores do Ypiranga ouviram vaias ao entrarem em campo. Normal. Depois alguns começaram o coro de "gaúcho, viado" e achavam vantagem nisso. O goleiro adversário cobrava tiro de meta e sempre tinha de ouvir o grito de "bicha" nos chutes. Tipo de provocação boba que, me desculpem, não merece repetição, e só servirá de munição para deixar invocado o Ypiranga e fazer o time vir ainda mais forte no jogo de volta. Além do mais, reclamamos muito quando somos chamados de "Paraíba" no Sul para recebermos um time de fora e fazer algo parecido.

Alguns torcedores também se empolgaram na comemoração. Copos e latas com bebidas voaram em direção ao gramado após o primeiro gol. E o gaiato do laser atacou novamente. Pessoal não entende que isso pode tirar o mando de campo do River para uma eventual final da Série D. 

Salvo essas observações, a torcida deu show.

Dentro de campo, o Ypiranga fez valer meu comentário de sexta-feira (23), quando disse que o novo adversário do River não é o Lajeadense. O jogo foi mais difícil do que o placar possa sugerir. Marcação forte, velocidade na saída de bola. Não subiram para a Série C por acaso. 

Se nas quartas-de-final o River fez praticamente um jogo de um time só, dessa vez sofreu muita pressão do adversário em casa. Até uma bola na trave no segundo tempo eles acertaram. Mas o River também fez isso na primeira etapa. 

O dia não era para jogo aéreo tricolor. A bola tinha mesmo de ser tocada de pé em pé, mas até assim estava difícil. A defesa gaúcha limitava as ações de Fabinho quando este recebia para finalizar. O jogo mudou quando ele passou a servir. 

Da esquerda, de onde vinham as principais jogadas do River no primeiro tempo, Fabinho recebeu o lançamento e cruzou. A zaga do Ypiranga quase fez contra, mas o goleiro espalmou. O problema é que Eduardo fez o que mais sabe fazer: aparecer no lugar certo na hora certa. Começava ali a noite da dupla: 1 a 0. 

O River se segurou muito. Naylson voava alto, sempre seguro nos cruzamentos. O Ypiranga fez por merecer um gol e por pouco não empatou. Foi uma boa partida de futebol, porque o River também avançava. Mas a grande área gaúcha, congestionada, tinha sempre alguém para impedir o gol. 

Acho que Flávio Araújo até demorou para por Lucas Bacelar em campo. O garoto jogou pouco mais de 10 minutos. A partida estava propícia para homens como ele, de boa presença na área adversária. Tanto que ele quase marca assim que tocou na bola pela primeira vez. 

O time tricolor foi premiado pela persistência. O lance do segundo gol é a prova disso. A conclusão da jogada não é boa, mas a bola acaba sobrando para o River. E lá na esquerda estava Fabinho. E na pequena área estava Eduardo, no lugar certo, na hora certa. 

No meu canto na arquibancada, senti que o gol estava por vir. O famoso momento que você diz que o gol está maduro. Pensei: rapaz, eu vou começar a filmar, porque vai já sair um gol aqui. E no final da partida, foi o que aconteceu.

Tá aí, os atacantes. Houve quem dissesse durante a Série D que era preciso demitir todos do setor e contratar outros. Que o treinador deveria ir junto também. Agora todos estão comemorando. Assim é o futebol. 

E o título da crônica de hoje é um recomeço da nossa contagem regressiva por culpa da torcida. No apito final, o Albertão cantava "o campeão voltou". A vantagem do River não é tão elástica quanto nas quartas-de-final, quando o Galo ganhou por 3 a 0 do Lajeadense no jogo de ida. Mas o 2 a 0 não é pouca coisa. 

No próximo sábado, o River jogará em Erechim (RS). Se perder por 1 a 0, estará na final da Série D. Se perder por 2 a 0, decisão nos pênaltis. E se o Galo marcar um gol em solo gaúcho, forçará os donos da casa a fazer quatro. Três ou mais gols de diferença, dá Ypiranga. 

Aqui no blog nós fizemos a contagem regressiva para o acesso. A atuação do River não foi tão brilhante como no jogo de ida com o Lajeadense, mas o Galo se portou bem contra um adversário que foi nitidamente mais forte, mais agressivo e muito mais perigoso. O time piauiense se impôs. Deu suas credenciais de que quer mesmo essa taça. A torcida confia no título. Parece já ter sentido mesmo que a chance é real. O River tem time para encarar qualquer adversário.