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River na final. E um busto para Naylson

Foto: Wilson Filho/Cidade Verde

Naylson tem algo admirável. Tirou do peito a dor e transformou em força para vencer. 

O que ele não tira é a camisa com a foto do pai. A mesma usada para atravessar o campo de joelhos após a conquista do Campeonato Piauiense, em maio. Ela estava debaixo do uniforme em Erechim (RS), quando aconteceu o momento mais dramático e mágico do River em 2015.

É sempre bom fazer o exercício de se colocar no lugar das pessoas. Pense agora no seu pai enfermo, em um hospital de Manaus (AM), e você trabalhando em Teresina (PI) sem poder fazer nada. No meio disso tudo, sua esposa grávida perde o bebê. Dias depois, foi a vez do pai. Isso desequilibra qualquer um. Naylson não é qualquer um. 

Ontem ele pagou a promessa. Hoje ele fez milagre.

Hoje, em Erechim (RS), ele saiu mal em algumas bolas e deu sustos na derrota por 2 a 0, apesar de não ter tido muita culpa nos dois gols. Mas depois, nos pênaltis, defendeu duas cobranças e ainda converteu o chute decisivo. Está iluminado. É o ano dele.

Isso hoje. Porque ontem ele já fez muito. O ano inteiro. 

A única derrota do River no Campeonato Piauiense foi quando Naylson viajou para ver o pai em Manaus - e olha que o reserva Dalton também não tem culpa no gol sofrido no clássico com o Flamengo. 

Aliás, Naylson nem era o goleiro titular na pré-temporada. Dalton se machucou em um jogo-treino e perdeu o lugar. Parece coisa do destino mesmo. 

Na Série D, o goleiro do Galo sofreu oito gols em 14 jogos. A média é de quase meio gol por partida.

Quase todo o elenco do River foi alvo de críticas na temporada, justas ou não. Naylson escapou delas.  

Queriam uma placa para o golaço de Amarildo no Albertão, contra o Lajeadense (RS), pelas quartas-de-final da Série D do Brasileirão. 

Pois Naylson merece um busto. Sua história em 2015 daria um filme. E parece que já estava escrita. Ninguém mais para o filho do Ratão.