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River 0x0 Botafogo-SP - mudaram o final do nosso filme

Foto: Roberta Aline/Cidade Verde

Estava escrito (de lápis) que essa taça era nossa. Veio uma Pantera com a borracha e apagou

Parecia perfeito. 

O time que superou os salários atrasados. Que conquistou o acesso para a Série C fora de casa e em pleno Dia do Piauí. O clube do técnico que conquistou seu quinto acesso em campeonatos brasileiros na carreira. Do goleiro que perdeu o pai e virou herói nas cobranças de pênaltis. Dos atacantes que encerraram seus jejuns de gols em momentos decisivos. Que cativou o Piauí inteiro e fez o torcedor voltar ao estádio. 

Não havia enredo melhor. Esse título tinha dono. Mas mudaram o final do filme. 

Do outro lado do campo estava o time de pior campanha entre os classificados nas oitavas-de-final da Série D. Mas que foi eliminando seus adversários um a um, sempre fora de casa. Todos azuis: CRAC (GO), São Caetano (SP) e Remo (PA). Pelas cores, o River não se encaixava nessa história de superação do Botafogo (SP). Mas não há de se negar que os paulistas também se superaram. 

Com dois roteiros distintos, ficou difícil decidir um final. O que fazer: agradar a plateia de 40 mil pessoas ou fazer valer a retranca de quem já havia vencido o primeiro jogo por 3 a 2?

Um capítulo novo poderia ter sido escrito nos minutos finais. Se Eduardo quebrou o jejum de gols nas quartas-de-final contra o Lajeadense (RS), e Célio Codó balançou as redes pela primeira vez no River somente na partida de dia da decisão, por que não Raphael Freitas, tão criticado, marcar o gol do título?

Marcelo Veiga não quis assim. O treinador do Botafogo trancou seu time e só abriu depois do minuto final, para a festa. 

O River construiu uma história de cinema em 2015. O título da Série D seria o grande final, o ápice. Mas nem toda história acaba como a gente espera. 

A diferença é que o público não quer saber desse novo final. Que o título seja do Botafogo, mas isso não vai nos tomar nossa alegria, nosso orgulho de poder novamente ver um time piauiense representar bem o estado. Foi-se o tempo em que perder de pouco na Copa do Brasil era motivo de comemoração. 

O Piauí voltou a ter futebol. E tem uma nova história a ser contada em 2016.