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Uma carta que vale ouro

Wander Roberto/Photo&Grafia/CBHb

O título do Mundial Escolar de Handebol não veio. Mas o reconhecimento também vale ouro. 

Nesta semana, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) divulgou uma carta do técnico da seleção brasileira, Jordi Ribera, dedicada ao professor Giuliano Ramos e aos atletas do Caic Balduíno Barbosa de Deus, que representou o Brasil na competição pela terceira vez consecutiva. 

São palavras que encorajam quem tem novos desafios pela frente. E uma baita homenagem ao técnico Giuliano Ramos. Confira:

A todos os Giulianos do Brasil, meu reconhecimento e admiração!

O handebol sempre me permitiu viajar e, por causa dele, conheci pessoas diferentes como jogadores, dirigentes e treinadores, todos com diferentes maneiras de entender a vida e gerenciar suas prioridades. Gostaria de destacar aqui, de maneira especial, aqueles que transformam o esporte em algo mais que uma prática física, competitiva e profissional. São os que fazem do esporte um meio de integração e melhoria da qualidade de vida de muitos jovens. É impressionante o quanto nos sentimos pequenos quando descobrimos suas experiências e seus projetos e, por tudo que fazem pela sociedade, ficam distantes de reconhecimento e ajuda das instituições.
Uma das pessoas que representam esse modelo é o Giuliano, que não necessita apresentação, pois, ultimamente tem se tornado uma pessoa muito conhecida por comandar o Clube CAIC do Piauí, equipe que está representando o Brasil no Campeonato Mundial Escolar pela terceira vez com.

Há alguns dias visitei-o no Piauí e acompanhei sua preparação para o torneio. Como sabem, Giuliano conseguiu construir um ginásio de esportes próprio e desenvolver um projeto social que integra jovens carentes através do Handebol, estimulando a participação de crianças e jovens de em alguns bairros de Teresina e também com as diversas categorias em seu clube.
Estive com a equipe na França e, ao me encontrar com Giuliano, ele acreditava poder chegar entre os semifinalistas (ficou com a medalha de prata nos dois anos anteriores), porém, a coisa não foi tão bem quanto ele imaginava e a equipe da Dinamarca acabou com o sonho de medalhas e, dessa forma, o CAIC acabou disputando a classificação entre 5º e 8º lugar.

A equipe ficou muito triste e Giuliano decepcionado, pois, sabiam que muita gente estava assistindo e torcendo por eles, e também porque eram grandes as expectativas criadas após os dois primeiros mundiais.

Sempre ao voltar dos jogos, as equipes se agrupavam para jantar em um grande hall na entrada do refeitório. Ao chegar, me sentei na ponta do hall e fiquei observando a chegada de nossa equipe. Muitos treinadores cercaram Giuliano para saudá-lo, para perguntar sobre o jogo e pelas ações de sua equipe. O Brasil é admirado por seu jogo alegre, por sua grande capacidade de luta e pela forma de entender o jogo.

Fico impressionado pelo fato de nosso treinador ser tão conhecido e respeitado, com muita gente querendo saber coisas sobre seu trabalho, porém, a 9.000km de distância, no Brasil, poucos conhecem Giuliano e seu projeto.

Não vou dizer que eles não precisavam ganhar o ouro, pois, quando se perde, o sabor é amargo, mas, o que quero dizer é que uma pessoa não precisa ganhar uma medalha de ouro para ser considerada “dourada”, pois, o que eles fazem vão muito além do reconhecimento pontual de ganhar algo, eu falo da atitude de todos esses "Giulianos", espalhados pelo Brasil e pelo mundo, que conseguem, através do esporte, ajudar jovens a construir seus projetos, longe das drogas, da violência das ruas e os auxiliam para que possam estudar e viver a vida com valores corretos e que possam construir uma sociedade melhor, algo que todas as medalhas do mundo não conseguem.

Longe, muito longe são aqueles que vivem o esporte apenas com objetivos de ganhar contratos e dinheiro, escondendo-se por trás das instituições e clubes pensando que representam os ideais perfeitos e a realidade da sociedade que os rodeia.

Fica claro que precisamos melhorar as estruturas, a qualidade do nosso esporte e daqueles que os representam, porque o esporte é um meio claro de fomentar a integração das pessoas, de afastar os jovens de todos os perigos de nossa sociedade, ajudando-lhes a adquirir valores como amizade, superação, liderança, cooperação e aceitação.

Com esta nota, gostaria simplesmente de fazer um reconhecimento e expressar minha admiração a todos os Giulianos do Brasil e do mundo.