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Golpe? Mudar formato da Copa do Nordeste em 2017 é desleal

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

Qual o formato ideal para a Copa do Nordeste?

O formato atual é mais justo com os estados: duas vagas para cada um, sendo três para Bahia e Pernambuco por conta da melhor situação no ranking de federações. 

Agora surge uma proposta de enxugar o Nordestão, com divisão de vagas pelo ranking de clubes. 

Ao invés de 20 times, o torneio voltaria a ter 16: o campeão de cada estado e os sete melhores do Nordeste no ranking nacional. 

A ideia não é ruim. Boa parte dos vice-campeões estaduais têm feito figuração nas duas últimas edições do Nordestão. Piauí e Flamengo que o digam. 

Fazer isso não seria novidade. A própria CBF já beneficia os melhores do ranking com vagas na Copa do Brasil. 

Rafael Ribeiro / CBF

 

 

Mas se o ditado diz que a ocasião faz o ladrão, eu digo que a ocasião faz o "golpe", palavra que está na moda. 

A ideia de mudar o formato do torneio é boa, mas surge somente depois do Ceará ficar de fora das semifinais do Campeonato Cearense e, consequentemente, fora do Nordestão 2017. 

Em resumo: a regra, o formato tem que valer quando eu preciso dele. Bem a cara do Brasil, mesmo. 

Dos sete melhores nordestinos no ranking nacional, o Ceará é o único sem vaga no próximo ano, até agora - o Náutico ainda disputa uma vaga com o Salgueiro em Pernambuco e também pode dançar. 

Estivesse o Ceará fora do Top 7 do Nordeste e fosse vice-campeão cearense, talvez a proposta fosse outra. 

Ainda que interessante, a nova proposta enfrenta problemas para valer a partir de 2017.

O primeiro deles é o regulamento dos campeonatos estaduais. Muitos já contam com as duas vagas na Copa do Nordeste. Os times já estão confiando nisso. 

O segundo problema é a postura da própria CBF. A ampliação da Série D do Campeonato Brasileiro de 40 para 64 clubes é prova de que a confederação quer agradar as federações. E cortar vagas dos estados no Nordestão seria enfrentar as entidades estaduais. 

Como eu disse no começo, a proposta não é ruim. Mas aprovar agora para valer só a partir de 2018 seria mais prudente e, por que não dizer, mais honesto com todos os clubes. 

E ainda acrescento uma sugestão: ao invés de sete, deixem só seis classificados pelo ranking e incluam o campeão do ano anterior.