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A brecha no regulamento que colocou Altos na Série D do Brasileirão

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

O futebol não tem lógica. 

Jogador é punido com terceiro cartão amarelo e entra em campo no jogo seguinte. 

Era só tirar os pontos e pronto. Mas o caso ainda vai para o Tribunal de Justiça Desportiva, que absolve o time por unanimidade. 

Sim, Altos foi absolvida por u-na-ni-mi-da-de.

A principal razão é de que o regulamento da competição não prevê se no fim do primeiro turno as punições são zeradas. 

Pela lógica, se o regulamento não prevê, então os cartões não zeram. Mas futebol tem lógica?

No julgamento, foi alegado que desse "silêncio" do regulamento, não se pode tirar direitos, não se pode prejudicar o clube. E Altos não será punido por uma brecha no regulamento que ele mesmo aprovou.

A culpa vai ficar com a Federação de Futebol do Piauí. Mas Altos sabe que errou. 

Há um sistema informatizado, com acesso para cada clube saber quantos cartões seus jogadores sofreram. Se fosse para zerar os cartões após o 1º Turno, esse sistema deveria estar limpo no início do 2º Turno. Não estava. 

O clube, então em dúvida sobre a tal omissão no regulamento, poderia questionar: opa, esses cartões não deveriam estar zerados? Como todo regulamento, o do Campeonato Piauiense possui, lá nos seus últimos artigos, aquele que trata dos casos omissos, a serem resolvidos quando descobertos.

Mas Altos continuou na disputa sem escalar jogadores que acumulavam três cartões amarelos em dois turnos. Fez cinco jogos assim, até errar no sexto, contra o River.

Quer ver? Faça as contas e confira nas súmulas no site da FFP.

O volante Marquinhos: cumpriu suspensão por três cartões amarelos e levou mais dois no 1º turno. Na estreia no returno, foi amarelado. Não está entre os relacionados na partida seguinte.  

O volante Neto: tinha dois cartões do 1º turno, entrou na etapa final na estreia do returno e foi amarelado no fim da partida contra o Caiçara. Não foi relacionado na partida seguinte contra o Flamengo. 

O meia Esquerdinha: pegou dois amarelos no 1º turno e mais um no returno contra Picos. Quem disse que ele foi relacionado no jogo seguinte, contra o Piauí?

Em situação parecida está o volante Frederico: dois no 1º turno, um no 2º turno, e ausência na partida contra o Piauí.

O zagueiro Celso: veio do primeiro turno com dois cartões amarelos. No returno, contra o Piauí, foi punido. No jogo seguinte, sequer foi relacionado para enfrentar o River. 

E foi nessa partida com o River que Paulo acabou escalado irregularmente. O erro de Altos foi ter contado o segundo cartão amarelo dele quando foi expulso contra o Piauí lá no 1º turno.

Se isso fosse citado em algum recurso, Altos poderia alegar uma grande coincidência de que todos esses casos foram de jogadores lesionados, ou que acabaram não entrando em campo por qualquer outro motivo. Mesmo que os citados só não tenham sido relacionados justamente quando estavam, vejam só, suspensos. 

O que Altos não irá é admitir que errou. E nem precisa mais. Não houve recurso. Caso encerrado. 

O Parnahyba, diretamente prejudicado, terá um caminho mais difícil para seguir no Campeonato Piauiense por enfrentar o River nas semifinais do returno, mas tem plenas condições de avançar conquistar uma das vagas na Série D do Brasileirão.

A outra vaga já é de Altos, que também fez por merecer dentro de campo, é importante frisar. Tem um dos melhores times da competição e não merece ter posta em dúvida sua competência nas quatro linhas por um vacilo cometido fora delas. 

Contudo, pelo bem de um campeonato tão conturbado, é melhor por uma pedra no assunto. Fica o dissabor de saber que um erro foi anulado por outro. A sensação de que outras brechas podem livrar outras equipes no futuro. Mas o torneio deve seguir até o fim.