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Protesto impediu professora do Piauí de ser 5ª condutora da tocha olímpica

Fotos: Arquivo Pessoal

Primeiros condutores da tocha prontos para o revezamento em Brasília (DF). Aurilene aparece na fila da frente

Fábio Lima e Rayldo Pereira
fabiolima@cidadeverde.com
rayldopereira@cidadeverde.com

Na manhã ensolarada de terça-feira (4) em Brasília (DF), a jogadora de vôlei Fabiana Claudino iniciou o revezamento da tocha olímpica pelo Brasil. Depois dela, o fogo foi conduzido pelo matemático Artur Ávila Cordeiro de Melo, o jovem carateca Gabriel Hardy e o ginasta Ângelo Assumpção. Em seguida, seria entregue para a professora Aurielene Vieira de Brito, diretora da Unidade Escolar Augustinho Brandão, de Cocal dos Alves (PI). 

Seria. Havia um protesto no meio do caminho. 

- Eu era uma das 10 primeiras convidadas para fazer o revezamento da tocha. Estava tudo certo. O ônibus pegou todos os revezadores e cada um tinha que ficar em um determinado local para esperar a chama. Mas quando chegou na minha vez de receber, os manifestantes invadiram o comboio. Foi um tumulto. Na hora que eu tinha que pegar o fogo, era muita gente gritando e com cartazes. Depois que tudo passou foi que me explicaram que por medida de segurança, porque eu corria risco em meio aos manifestantes, preferiram desviar a rota da tocha.

Quando foi a vez da condutora seguinte, a refugiada síria Hanan Khaled Daqqah, o revezamento seguiu seu curso normal, ainda que os cartazes de protestos continuassem a seguir o revezamento da tocha. 

- Era uma organização monstruosa. Tinha até gente de fora do Brasil. Mas eu percebi que às vezes o policiamento não sabia direito onde ia ficar cada pessoa e fiquei um pouco decepcionada.

Aurilene foi convidada para representar o sucesso da escola do Norte do Piauí, que superou diversas dificuldades e se tornou uma das melhores do país, com desempenho excepcional em Olimpíadas de Matemática e Química. 

Um exemplo que seria levado para todo o mundo, como lamentou o próprio diretor executivo de Comunicação e Engajamento dos Jogos Rio 2016, Mário Andrada e Silva, em um pedido de desculpas entregue para a professora. 

- O próprio diretor da organização pessoalmente me trouxe uma carta explicando e pedindo desculpas, e eles ainda quiseram me colocar depois, em outra posição. Mas eu fiquei muito decepcionada e frustrada e não quero mais participar.  


Carta entregue para a professora pede desculpas e insiste para que ela
possa participar do revezamento em outra data. Aurilene diz que não quer

No primeiro dia do revezamento, o Cidadeverde.com havia procurado os organizadores do evento e foi informado que a professora não conduziu a tocha por um imprevisto, e que a participação de Aurilene poderá ser realocada para outra data. Hoje, de volta a Cocal dos Alves e com a tocha que ganhou de presente, ela reafirmou a posição de não participar mais. 

Na carta, o executivo explica que a medida foi tomada para preservar a segurança da professora. "A multidão poderia avançar sobre o comboio, o que seria muito perigoso." Andrada faz um pedido e insiste para que a diretora participe do revezamento. Cita que no meio esportivo "os erros são punidos com mais esforço numa segunda tentativa e nunca com a desistência."


Aurilene com a tocha que não foi acesa

É importante que os organizadores reconheçam os erros. Protestos já eram esperados em um evento de tamanha visibilidade e com a ebolução política que vive o Brasil. A carta ressalta que o revezamento da tocha olímpica é a maior operação logística da história do país. Começou nesta semana e vai durar três meses. A falha dos primeiros metros de conduzação da chama olímpica não merece ser repetida.

Mas o Cidadeverde.com se junta ao pedido do comitê organizador do evento. Até o início de junho, quando a tocha chega ao Piauí, há tempo de sobra para a frustração inicial ser dissipada, estimada diretora. Faça como este blog, tente levar na esportiva. Lembre-se dos professores, alunos e todas as pessoas que ajudam no sucesso da escola que tanto orgulha os piauienses. Todos que constrem a Unidade Escolar Augustinho Brandão merecem ser representados neste momento histórico do esporte brasileiro.