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Botafogo (PB) x River - para reconquistar a freguesia

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

Você é o dono da única quitanda do bairro e só vende pão massa grossa. O freguês vai lá e compra todo dia. Mas uma hora ele cansa. 

Pra manter a freguesia é preciso variar. Acrescenta um pão massa fina, cuscuz 40, beiju, bolo de caroço, biscoito, feijão verde, arroz, carne de sol... O cliente que foi embora vai gostar, se envolverá com tanta coisa e nem perceberá quando virar freguês de novo.

Na quitanda do River faltam itens importantes. A temporada intensa, com dois jogos por semana, cobrou dos atletas. Dos 18 que viajaram para João Pessoa (PB), alguns não sabem se jogam ou podem entrar em campo no sacrifício contra o Botafogo. 

Falta também variedade. No domingo, contra Altos, o River saiu do 4-4-2 que usa desde o ano passado e entrou com três atacantes. Em parte certamente por conta das lesões, que deixaram o técnico Capitão sem muitas opções. Mas foi um raro momento nesta temporada no qual se viu o River podendo surpreender o adversário com mudanças táticas. 

Foto: Érica Paz/River A.C.

Em geral, além de repetir o esquema que deu certo em 2015, quando não tem trocado lateral por lateral, o técnico Capitão tem tirado atacante para por meia, ou volante para por zagueiro, com a intenção de segurar resultado.

Contra o Botafogo, na semana passada, em Teresina, o principal erro do River talvez tenha sido a previsibilidade. O Galo jogou duas vezes na Copa do Nordeste contra a mesma equipe. Era de se esperar que o Botafogo estudasse melhor seu adversário - e o contrário também. 

Os paraibanos já sabiam como marcar os piauienses, e não deu outra. O River dominava a bola, mas tinha problemas para sair com ela, tanto que foram constantes os recuos para o goleiro Dalton. E veio aquele gol no contra-ataque...

Já é um bom sinal que o treino de reconhecimento do gramado do Almeidão tenha sido fechado para a imprensa. Mesmo que o tricolor não mude, é bom fazer mistério. Suspeito que o esquema com três atacantes contra Altos já tenha sido um teste. Tomara.

Mesmo assim, torcedor, confesso meu receio. Primeiro porque se Paulo Paraíba, Esquerdinha, Júnior Xuxa e Vanderlei conseguirem entrar em campo, não será com 100% de suas condições físicas. E consequentemente, se faltarem peças a Capitão, fica mais difícil variar o time. Para piorar, o Galo começa em desvantagem, precisando vencer por qualquer placar.

Porém, vale sempre lembrar, esse mesmo grupo vive momentos de superação espetaculares desde a Série D do Brasileirão de 2015. E que me desculpem os paraibanos, mas no conjunto da obra, o River ainda é mais time que o Botafogo. Isso é insuficiente para ganhar jogo, mas uma hora pesa. 

Aliás, menos mal que qualquer vitória classifica o Galo - exceto o 1 a 0, que leva o jogo para os pênaltis.

Não há outro jeito. O River tem de entrar com tudo pra vencer. Se faltar algo, vai com o que tem. O Botafogo que se segure. O dono da quitanda quer dar o troco.

Botafogo (PB) x River
Copa do Brasil - 2ª fase - jogo de volta (ida: Botafogo 1x0)
17/05 - Quarta - 20h30 - Almeidão - João Pessoa (PB)