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Um prêmio que ninguém merece

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

Em breve, a Federação de Futebol do Piauí deve anunciar a lista com a seleção do Campeonato Piauiense. A imprensa foi convidada a votar e deixei meu registro. Uma categoria, no entanto, me deixou confuso: melhor dirigente. 

Comecei a pensar, pensar... Perguntei a alguns colegas e fui reunindo argumentos. 

Quando se fala em dirigente, logo se pensa em Elizeu Aguiar, pelo que tem feito nos últimos anos na presidência do River. Mas as contratações equivocadas na pré-temporada, do plantel até a comissão técnica, me fizeram pensar que o prêmio não deve ser dele. 

Passando pelos outros clubes, não é preciso comentar o trabalho feito pelos rebaixados Caiçara e Cori-Sabbá. 

O Flamengo se enrolou. Melhor nem comentar também. 

O Parnahyba estava fazendo tudo certinho. Demitiu o treinador no meio do campeonato e creio que isso não foi bom. O mesmo aconteceu com Picos, que foi até finalista do 1º turno, mas também mandou o técnico embora - mesmo com a boa campanha. 

Jacob Júnior, do Piauí, fez o feijão com arroz. Trocou o técnico antes do campeonato avançar e talvez por isso o rubroanil tenha reagido melhor no returno. Poderia até ganhar meu voto, mas vou pular e adiante explico. 

Eu sou um cara que acredito na manutenção da comissão técnica e no acerto das contratações. O dirigente pode ser simpático, agradar a imprensa, etc. Mas se não fizer direito esse seu trabalho fora de campo, compromete o desempenho da equipe. 

Nesse sentido, só sobrou uma alternativa: Associação Atlética Altos. Mas fica impossível votar no clube que conseguiu escalar, por duas vezes, jogadores que receberam três cartões amarelos na competição. Não dá para premiar o erro. 

Nessa sinuca de bico, lembrei do principal problema do Campeonato Piauiense: o regulamento, a tabela, tudo aprovado pelos clubes. Aliás, algumas coisas propostas por eles mesmos. E nem adianta culpar só o Parnahyba por ter recusado o formato do torneio em turno único. A maior parte dos clubes foi para a reunião sem sequer estudar as propostas, confrontar cada uma delas com o calendário nacional. Enfim, outros dirigentes tiveram sua parcela de irresponsabilidade nisso. 

Pelos meus critérios, fiquei sem escolha. Poderia até votar no Piauí, mas achei o protesto mais oportuno. E assim votei:

- O melhor dirigente - Nenhum, sob protestos. Erraram desde o regulamento do campeonato. E mesmo os que votaram por um torneio mais enxuto erraram nas contratações e demissões. 

Nesse Brasil de muita gente que gosta de deixar passar os erros e quer tocar a bola pra frente, cada parte do Campeonato Piauiense precisa fazer um exame de consciência e aprender com o que aconteceu em 2016. E ou os clubes se unem, ou vão repetir os problemas de agora.