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Um "causo" com o eterno Caçapava

Foto: Internacional.com.br

Era maio de 2004. Caçapava treinava o Piauí Esporte Clube, que foi ao Sul do estado enfrentar o Oeiras. Saiu na frente, vencia por três gols, mas cedeu a virada e perdeu por 4 a 3. 

Na época, eu era estagiário. Além de ainda estar engatinhando no jornalismo, não tinha me preparado para encarar a fera. 

Vale ressaltar que na época todos os colegas de imprensa entravam no campo para entrevistas o primeiro sinal de parada no treino para beber água. E lá vou eu na cola do treinador, em momento nada oportuno, para um diálogo que foi mais ou menos assim:

- Professor, o que faltou para o Piauí sair de Oeiras com a vitória?

- Faltaram os gols. Nós fizemos três, eles fizeram quatro. Se nós tivéssemos feito mais um gol, não teríamos perdido. Vocês fazem cada pergunta...

As outras entrevistas foram bem melhores. O repórter se preparou a altura do ídolo, que por sua vez já se acostumara com o novato e permitia ao garoto ouvir alguns de seus "causos".

Caçapava treinou ainda 4 de Julho, River, Caiçara e outros clubes piauienses, seja nas categorias de base ou as equipes principais. Mas morava mesmo era em Timon (MA), vizinho a Teresina (PI), onde deu aula de futebol para a garotada. 

Tinha uma vida simples, longe da merecida por um ídolo da seleção, campeão brasileiro com o Inter em 1975 e 1976.

Em 2010, "Caça" já havia nos pregado um susto. Foi internado com problemas cardíacos em Teresina, mas teve alta dias depois. No ano seguinte, voltou para o Rio Grande do Sul, contratado pelo Inter para visitar o estado inteiro, levando os troféus do clube e fazendo a festa de torcedores. 

Hoje, o editor daquele estagiário, o jornalista Raimundo Filho, revelou que Caçapava queria disputar as eleições para vereador em Porto Alegre (RS) e já tinha combinado com ele o título de sua biografia: "Depois de ligo".

O coração de Luís Carlos Melo Lopes não esperou. Na memória dos mais velhos, ficam as jogadas do que foi considerado o melhor meio-de-campo do futebol brasileiro, com Caçapava, Falcão e Carpegiani. Para os mais novos que puderam o conhecer, as gargalhadas e histórias de quem ajudou a escrever várias páginas do futebol piauiense. 

Veja a homenagem do Inter ao ex-jogador: