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Doping: o que ocorreu e o que ainda pode acontecer com o zagueiro Índio

Fábio Lima
fabiolima@cidadeverde.com

O caso do doping do zagueiro Índio, do River, chamou a atenção logo de cara pela substância encontrada: Benzoylecgonine.

Quando você joga o nome na busca na internet, a primeira referência é cocaína. Mas quem se apressa pode ligar os fatos de forma equivocada. 

Foto: River.A.C.

Marcos Antônio Santos é professor do  do Departamento de Biofísica e Fisiologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Fez doutorado sobre doping. E explica ao blog Na Esportiva que existe outra possibilidade para a presença da Benzoylecgonine no organismo do zagueiro: o uso de um suplemento contaminado. 

Especialista na área, Marcos Antônio Santos explica que a Benzoylecgonine é metabolizada pelo organismo e expelida pela urina. É como um rastro, um vestígio da presença da droga.

No caso de Índio, pode ter sido o uso da cocaína como entorpecente, como conhecemos. Pode ter sido o uso de um suplemento contaminado. Pode ter sido um acidente. Mas o doutor alerta para um princípio básico quando se trata de casos de doping:

- O atleta é responsável por tudo o que sai do corpo dele. Se entrou de forma acidental, proposital ou não, ele é responsável.

O que pode acontecer

Em análise breve, Marcos Antônio Santos avalia três possibilidades para o zagueiro do River: alegar o uso de suplemento contaminado, questionar o laboratório que fez o exame, ou admitir que é dependente químico. 

Foto: UFPI

Marcos Antônio Santos fez doutorado sobre doping e explica o que pode ter acontecido 
e o que ainda pode acontecer com o zagueiro Índio

Se questionar o laboratório, Índio pode se livrar de qualquer suspensão. Isso será possível caso o exame tenha sido feito no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), que recentemente teve credenciamento suspenso pela Agência Mundial Antidoping (Wada), o que invalidaria o teste do zagueiro.

Outra possibilidade nesse aspecto é se o exame não tiver seguido todos os procedimentos técnicos necessários para ser validado, como falha na coleta, o que deve ser verificado pela defesa do jogador. 

Caso alegue ter usado um suplemento contaminado, Índio terá de apresentar amostras do que tomou para que sejam examinadas. Um caso famoso é o do nadador César Cielo, inocentado em 2011 após a farmácia que produziu seu suplemento admitir falha na manipulação. 

Na última hipótese, Índio pode admitir que é dependente químico. Isso atenuaria a pena do jogador e foi usado como argumento da defesa de Jobson, do Botafogo, em 2011.