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Voar num limite improvável: o sonho impossível de Thiago Braz

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

Foto: Alexandre Loureiro/Exemplus/COB

 

A música "Sonho Impossível" de Chico Buarque e Ruy Guerra é de 1972, uma versão para "The Impossible Dream", canção do musical da Broadway "Man of la mancha".

Há coincidência em alguns versos com a história de Thiago Braz no salto com vara. O brasileiro buscou o sonho que parecia impossível e voou num limite improvável, até conquistar o segundo ouro do país nos Jogos Olímpicos de 2016.

Thiago Braz estava nas minhas contas. Antes dos Jogos Olímpicos, foi ouro no Meeting Internacional de Salto com Vara, na Alemanha, com a marca de 5,90m, além de ter subido em outros pódios na temporada. Quarto lugar no ranking mundial, era um natural candidato ao bronze. 

De Marília (SP), 22 anos, campeão mundial juvenil em 2012, o brasileiro já havia batido o recorde sul-americano indoor em fevereiro, com 5,93m. Ao ar livre, sua melhor marca era 5,92m. Jamais havia passado dos 6 metros em competições. 

Imaginar que o brasileiro pudesse superar o francês Renaud Lavillenie, que competiu como se apenas tivesse vindo confirmar seu bicampeonato olímpico, era sonhar alto. É de Lavillenie o recorde mundial indoor de 6,16m. E repito: Thiago Braz nunca havia passado dos 6 metros na prova.

O atletismo brasileiro não vive seu melhor momento. A expectativa para Rio 2016 era de uma ou duas medalhas. E depois do judô ficar abaixo do esperado e a natação passar em branco, a perspectiva do Brasil de ficar no top 10 do quadro de medalhas estava mais distante. 

Mas é nas Olimpíadas que o impossível acontece. E graças ao Thiago, o Brasil pode sonhar mais alto nos Jogos Olímpicos. Seis metros mais alto.  

Foto: Wander Roberto/Exemplus/COB

 

Enquanto Lavillenie acreditava ser o principal adversário do brasileiro, Thiago Braz precisava superar a si mesmo. Ele acreditou no que parecia impossível. Ao que parece, o francês duvidou.

E foi assim que o jovem paulista entrou para a história, com direito a recorde olímpico. Figura agora ao lado de Maurren Maggi, Joaquim Cruz e Adhemar Ferreira da Silva, brasileiros campeões olímpicos no atletismo. Não é pouco. 

Por sinal, Thiago Braz da Silva, no atletismo, Rafaela Silva, no judô... É da simplicidade dos Silva que se está construíndo a história de ouro do Brasil na Rio 2016. 

Thiago tem só 22 anos e pode sonhar mais alto. O recorde mundial do salto com vara é do lendário ucraniano Sergey Bubka, de 6,14m, de 1994. Mais um sonho impossível? Vai, Thiago. Vai que dá!

Foto: Wander Roberto/Exemplus/COB