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Não haveria Robson Conceição sem Popó...


Rio de Janeiro - Por decisão unânime dos juízes, o lutador brasileiro Robson Conceição derrotou o francês Sofiane Oumiha e garantiu o ouro na categoria peso ligeiro, até 60 quilos (Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Robson Donato Conceição, prata e bronze no Campeonato Mundial de Boxe (2013 e 2015), segundo no ranking mundial. Era outra medalha nas minhas contas. E ouro muito próximo após a vitória na semifinal sobre o cubano Lázaro Álvarez, líder do ranking. 

Uma surpresa para quem acompanha pouco o esporte. Mais ainda quando lembrado que o baiano foi eliminado na estreia em Pequim 2008 e Londres 2012. 

Imagino quantas vezes disseram a Robson que ele não teria chance. Como superar os resultados em Olimpíadas anteriores e ser campeão na Rio 2016?

A resposta do treinador do boxeador, após confirmado o ouro, é uma verdade do esporte que o torcedor brasileiro ainda precisa aprender: não se constrói um campeão da noite para o dia. 

Robson Conceição evoluiu depois de 2012 para chegar ao pódio. E o treinador fez questão de agradecer a todos os envolvidos nesse processo.

Após a entrevista no Sportv, vejo Acelino "Popó" Freitas chorar, até meio acanhado, ao dizer o óbvio:

- Eu fiz parte disso. Não diretamente, mas eu pude incentivar essa garotada. 

Fez, sim. E muito. 

O primeiro ouro do boxe brasileiro veio após uma prata e dois bronzes em Londres 2012. Medalhas conquistadas 13 anos depois do primeiro título mundial de Popó. 

É impossível acreditar que o baiano tetracampeão mundial não inspirou a geração do conterrâneo campeão olímpico. 

Não haveria Robson Conceição sem Popó. 

Sarah Menezes poderia não ser campeã olímpica sem antes se inspirar em Leandro Guilheiro e ver os erros e acertos de Benito Mussolini Neto, ídolo do judô piauiense antes da garota despontar para o mundo. 

Prata na Rio 2016, Isaquias Queiroz foi convidado para treinar em São Paulo por Sebastián Cuattrin, até pouco tempo o dono do melhor resultado brasileiro na canoagem em Olimpíadas. 

Thiago Braz talvez nem estivesse no pódio do salto com vara sem os sucessos e fracassos de Fabiana Murer, que se despediu de sua terceira Olimpíada seguida sem medalha. 

A estrada até o ouro é longa. Percorrê-la no escuro sem tropeçar é missão quase impossível. Por isso, é preciso lembrar de quem passou por ela antes e iluminou o caminho - além, é claro, dos amigos, patrocinadores e toda a comissão técnica. Quando esquecemos deles, o caminho escurece outra vez.

Pelas emoções desta terça-feira (16), obrigado, Popó. Obrigado, Robson.