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O ouro veio do Acre

Jogo equilibrado, um gol para cada lado, três bolas da Alemanha na trave do Brasil. 

Pelo jogo, pelas campanhas, o título poderia ser de qualquer um, merecidamente. Mas nos pênaltis, dois nomes foram decisivos. 

Por último, Neymar. A mudança no futebol brasileiro passa necessariamente pelo nosso melhor jogador, gostem ou não. Foi dele a cobrança decisiva. 

Antes dele, Weverton, que defendeu a cobrança de Petersen. E em uma noite de tanto equilíbrio, o goleiro fez a diferença.  

Alaor Filho/Exemplus/COB

 

Weverton é goleiro do Atlético Paranaense. Nasceu no Acre, o Estado que nas piadas não existe. 

Foi convocado para ser titular. Fernando Prass teve de ser cortado por lesão no cotovelo direito. 

Defendeu o quinto pênalti, ficou de costas e só ouviu o gol de Neymar. Foi mais rápido que Usain Bolt e botou a bola do jogo debaixo da camisa. Depois, se abraçou na bandeira acreana. 

Lógico, o ouro inédito que nos tirou o último jejum do futebol, é resultado de várias coisas. 

A primeira mudança importante foi a demissão do técnico Dunga. Difícil acreditar que os garotos da Sub-23 aguentariam a pressão de jogar em casa sob seu comando. Ao contrário do antecessor, Rogério Micale parece passar tranquilidade ao time, além de ter a experiência do trabalho com a base brasileira nos últimos anos.

Talvez um time comandado por Dunga insistisse nos erros dos primeiros jogos. A seleção melhorou (ainda que não tenha sido um grande time) e chegou a mais uma decisão, dessa vez contra a Alemanha. 

Vale lembrar: Alemanha finalista do futebol no feminino (ouro) e masculino (prata), e última campeã da Copa do Mundo no masculino (2014) e quarta colocada no feminino (2015). Eles estão em alta e devemos aprender com isso. 

Em relação ao Brasil, o amor voltou. Os gritos de "o campeão voltou" são precoces. Os problemas do futebol brasileiro não foram embora. E uma certa arrogância para reconhecê-los, também. Ou alguém duvida que todo o trabalho de agora seria desfeito em caso de medalha de prata?

Vamos comemorar, mas sem se iludir. O ouro do futebol masculino é um sinal de esperança, um alento após o 7 a 1 e a perspectiva de que podemos dias melhores. Mas o novo futebol brasileiro não surgiu em 40 dias. E nem vai cair do céu.