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Sem recursos, atletismo do Piauí deixa de disputar Campeonato Brasileiro

Foto: Wilson Filho/Cidade Verde

Seis atletas e mais um treinador embarcariam, nesta sexta-feira (14), para São Bernardo do Campo (SP), onde disputariam o Campeonato Brasileiro Sub-18 de Atletismo. A frase está toda no pretérito porque faltou recurso para que a viagem da delegação. Hoje (13), as últimas tentativas para se conseguir apoio junto ao poder público foram esgotadas. 

A Federação Piauiense de Atletismo (Fapi) já gastou suas economias enviando a delegação para dois troféus norte-nordeste, adulto e sub-18 - neste último, o Piauí ficou com a segunda colocação geral

Na delegação piauiense estão nomes como Franciele Cerqueira e Letícia Lima, donas de três e dois ouros no último Norte-Nordeste, respectivamente. Ao saber que não iria viajar, Letícia, que recentemente perdeu o avô, chorou. 

Nilson Sousa, técnico das duas atletas, tentava consolar as alunas enquanto lamentava, com certo conformismo. Ele diz já ter ficado mais irritado com a falta de apoio em anos anteriores, mas compreendeu o momento atual.

- A gente fica triste pelos atletas, mas sabemos que a situação não está fácil. Temos que aceitar porque é uma coisa que não depende da gente. A Federação fez tudo o que podia. 

Alysson de Andrade, Artemio dos Santos, Augusto Nascimento e Marcos Vinicius Moraes completam o time de convocados.

É a primeira competição que o atletismo piauiense deixa de disputar em 2016 por falta de recursos. Até dezembro, pelo menos outros dois torneios fora do estado deverão acontecer. 

Nas contas da Federação, o gasto com a passagem de um único atleta para o Campeonato Brasileiro em São Bernardo do Campo (sP) é de aproximadamente R$ 2 mil. Para seis inscritos e treinador, passaria de R$ 14 mil.

- O dinheiro gasto com quatro atletas e um técnico para São Paulo é o mesmo gasto de levar um ônibus para o Norte-Nordeste - diz a vice-presidente da Fapi, Márcia Araújo, que aguardou até hoje por apoio do poder público. A resposta veio à tarde e foi negativa.

A crise financeira não chegou agora ao esporte piauiense. Na verdade, ela nunca saiu dele. O temor é que com o momento que o país atravessa, o corte seja maior no setor, que já costuma ser preterido.