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Pelo bem do futebol, é preciso ajudar a Chapecoense

Daniel Isaia/Agência Brasil

Homenagem no gramado da Arena Condá, em Chapecó (SC)

O velório da delegação da Chapecoense será na Arena Condá. 

É onde também deveria ser a final simbólica da Copa Sul-Americana, com a entrega do troféu de campeão aos que restaram da equipe, das mãos dos jogadores do Atlético Nacional, reforçando o gesto de solidariedade do clube colombiano. 

Se não no velório, que seja no dia 11 de dezembro, data do jogo entre Chapecoense e Atlético (MG), no encerramento do Campeonato Brasileiro. Isso até aumenta um pouco as chances dos sobreviventes do acidente participarem da homenagem, se assim também quiserem e puderem. E nem precisa haver jogo, essa partida também não faz muito sentido. 

Não há mais volta. O título precisa ser dado ao clube catarinense. Ou, no mínimo, dividido. 

A vaga na Libertadores é uma das formas de garantir que o clube não definhe fora e, consequentemente, dentro de campo.

E é preciso aprender com os erros do passado. Não se pode deixar acontecer com a Chapecoense o que se passou com o Brasil de Pelotas (RS). 

Em 2009, um acidente com o ônibus do clube gaúcho deixou três jogadores mortos e mais de 20 pessoas feridas em plena pré-temporada. Com um time improvisado, o Brasil foi rebaixado de divisão estadual e só conseguiu voltar cinco anos depois. 

As medidas de empréstimo gratuito de jogadores e o pedido para que a CBF formalize que a Chapecoense não poderá ser rebaixada nos próximos três anos, sugeridas por alguns clubes, são primordiais. 

Há de se considerar o risco real de rebaixamento da Chapecoense no ano que vem. Aconteceu com o Brasil de Pelotas no Gauchão. E tal qual o Brasil, três anos é um período razoável para a Chape se reerguer. 

Tais medidas deveriam até constar no regulamento geral de competições da CBF, para que não se precise no futuro esperar da solidariedade de todos em qualquer torneio no país. 

Estamos no calor da emoção. Resta saber se a boa vontade dos dirigentes que se manifestaram irá durar. E se os que ainda não se manifestaram vão se opor ao que foi proposto. 

É preciso primeiro aliviar a dor provocada pela tragédia. Mas, passado o luto, é preciso ajudar a Chapecoense. Mais que solidariedade, fazer isso é dar um passo a mais para melhorar o futebol brasileiro.