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Quais os critérios para os apoios concedidos pela Fundespi? Os atletas querem saber

Eu tenho dois atletas precisando viajar para uma mesma competição: um é campeão brasileiro e o outro chegou ao terceiro lugar. Só tenho uma passagem. Qual deles merece mais?

Aparentemente é simples, mas para definir o mérito no esporte é preciso que algumas nuances sejam observadas. O garoto que foi campeão no ano passado, por exemplo, agora caiu de rendimento, enquanto o terceiro colocado treinou muito mais e aparenta ter chances de brigar pelo título. Mas será se o que está melhor preparado tem o mesmo talento? 

Não, não é simples. Mas os critérios existem para resolver esses impasses. E quando falamos em administração pública, aí é que a avaliação precisa ser rigorosa para evitar injustiças e garantir a boa aplicação dos recursos. 

O Bolsa Atleta do Governo Federal, por exemplo, estabelece níveis diferentes que levam em conta as conquistas dos esportistas. Um medalhista olímpico não ganha o mesmo que um campeão brasileiro. Por mais que ainda possa existir alguma injustiça, pois quem tem talento e quer ser campeão continua sem apoio, esse foi o melhor formato que nossos gestores conseguiram implementar. 

Aqui no Piauí, há uma década denunciei o Bolsa Atleta do Governo do Estado. Atletas com melhores resultados ficaram de fora do programa em detrimento de outros. As regras foram modificadas nos anos seguintes e a Fundação dos Esportes do Piauí (Fundespi) deixou os critérios mais claros e menos injustos. Até o programa deixar de existir.  

Agora fica difícil para a mesma Fundespi, ainda que sob direção diferente, explicar porque pagou passagens para corredores amadores competirem no exterior enquanto uma delegação inteira deixou de viajar para o Campeonato Brasileiro Sub-18, em São Bernardo do Campo (SP) - só para citar um exemplo. 

O próprio Governo noticiou - e depois deletou de seu site: receberam ajuda para deslocamento Maria Betânia Rios Magalhães, na maratona em Lisboa (Portugal), e Rita de Cássia Ferreira da Silva, na maratona internacional de Montevidéu (Uruguai). 

Betânia Rios, por sinal, foi diretora geral do Sistema Nacional de Emprego (Sine) no Piauí, e é de se supor que tenha melhores condições financeiras que nossos jovens atletas. Mas ela e Rita não têm culpa: são cidadãs e exerceram seu direito, solicitaram o apoio da Fundespi e foram atendidas. 

A Fundespi foi que voltou a errar. Existem dezenas e dezenas de atletas em busca de apoio para competir fora do Piauí. E além do merecimento, um dos primeiros critérios para apoiá-los deveria ser a representatividade e o retorno de imagem que eles poderão trazer para o Estado. 

O Piauí ganharia muito mais se tivesse feito um esforço maior para enviar os atletas da seleção piauiense sub-18. Como não o fez, a repercussão negativa tem impacto dobrado. Basta pesquisar quantas matérias foram publicadas sobre cada assunto e quais foram positivas ou negativas. 

E olha que, como a propaganda institucional do Governo diz, no Piauí tem muita coisa boa acontecendo. Temos muitos atletas que se destacam apesar das adversidades. Imagine o que fariam tendo mais apoio do poder público.