Cidadeverde.com

Decisão que deu medalha ao Brasil após 9 anos foi 'rápida', diz doutor em doping

Yoshi Kishimoto/Comitê Olímpico Internacional

Equipe jamaicana foi punida e terá de devolver medalha de ouro 9 anos depois

 

Alguns estranharam o fato do Comitê Olímpico Internacional (COI) punir a equipe do revezamento 4x100 metros da Jamaica apenas nove anos depois dos Jogos de Pequim, em 2008. A decisão, que beneficiou o time do Brasil com a medalha de bronze, recebeu comentários irônicos nas redes sociais - alguns compararam o COI com a fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas para quem entende do assunto, a punição se deu até em tempo razoável. 

Professor do Departamento de Biofísica e Fisiologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e com doutorado sobre doping, Marcos Antônio Santos conversou com o Cidadeverde.com e avaliou a punição:

- Para os atletas, o prejuízo é inimaginável. Mas a decisão não demorou. Foi até rápido. 

O doping do jamaicano Nesta Carter puniu toda a equipe medalhista de ouro do país, inclusive o ídolo Usain Bolt. A medida premiou o revezamento brasileiro, que havia ficado em quarto lugar e agora herdou o bronze. O alagoano Bruno Lins e o maranhense José Carlos Moreira, o Codó, hoje atletas do clube CT Piauí, estão entre os beneficiados.

A "demora" fez muitos imaginarem que os exames antidoping dos Jogos de Pequim estariam em uma "fila de espera". Não é bem assim que funciona. 

As amostras de urina dos atletas são coletadas e examinadas durante os Jogos Olímpicos. Mesmo com resultado negativo, elas são congeladas, podendo ser guardadas por 20 anos. Quando surgem novas tecnologias que possam descobrir a presença de substâncias proibidas, os exames são refeitos, como explica Marcos Antônio Santos. 

- A demora parte do princípio de que novas técnicas foram desenvolvidas nesses últimos oito anos. E as amostras que ficam guardadas e congeladas só puderam ser reanalizadas agora por existirem essas novas técnicas. 

Foto: UFPI

Marcos Antônio Santos é professor da UFPI e doutor em doping

O doutor em doping lembra que muitas amostras de Pequim 2008 e todas de Londres 2012 estão passando por novos testes. Muitas punições já foram aplicadas, mas ficam desconhecidas do público brasileiro por não envolverem atletas do país, direta ou indiretamente. E os avanços tecnologicos devem encurtar o tempo de reanalize das amostras de atletas dos Jogos Rio 2016. 

- Hoje existem técnicas que permitem fazer essa análise com mais precisão. Em 2008, ainda eram técnicas experimentais, não validadas - acrescenta o especialista. 

Essa não é a primeira decisão que beneficia o Brasil. Em setembro do ano passado, o COI puniu a equipe feminina da Rússia, também no revezamento 4x100m do atletismo em Pequim. O time brasileiro, que havia ficado em quarto lugar na prova, herdou o bronze.