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Waldemar Lemos pede desculpas ao River, mas diz que não é vilão e faltou diálogo

Foto: Victor Costa/River A.C.

A era Waldemar Lemos no River chegou mesmo ao fim, por mais que ele tenha voltado a Teresina disposto a pedir desculpas. 

Pediu desculpas ao clube, aos jogadores, comissão técnica. Mas disse que não é o vilão da história, como ela foi contada. 

No hotel onde ficou hospedado em Teresina, o treinador recebeu o presidente Elizeu Aguiar e outros dirigentes do clube para uma conversa pela manhã. Depois, começou a receber a imprensa. 

Após o almoço, falou com o Cidadeverde.com e Rádio Cidade Verde. Disse ser vítima de uma maldade. Admitiu ter estourado na vitória do River por 2 a 0 sobre o Piauí, mas garantiu que a forma como isso chegou ao público foi exagerada.

O técnico fala não saber se diretoria, imprensa ou alguém de outra área tenha aumentado a história sobre a reunião com os atletas na semana passada. Mas acredita que os prejudicados nisso tudo foram ele e o trabalho que era levado adiante no clube. 

Ouça a entrevista na íntegra e leia alguns trechos a seguir:

Exagero
Nós tivemos coisas que aconteceram no jogo. Nós vinhamos tendo um acúmulo de coisas, e coisas que talvez estivessem acontecendo no clube, que eu não gostaria de pontuar aqui. Mas eu sei que a gente foi se entupindo, foi me enchendo e chegou a hora de estourar. Mas não estourei jamais da forma que a coisa foi montada.

Eu não sei como é que foi montado isso, quem que montou isso. Eu sei que quem fez isso, fez de maneira nociva, de maneira ruim, negativa, que prejudicou um trabalho e me prejudicou muito também. 

Faltou diálogo /  Decisão precipitada
Eu aceito a conversa. E sempre que houve conversa no clube eu solicitei essa conversa, para que eles viessem falar comigo, conforme eu achei que deveria ter acontecido. Se eles não tiveram essa iniciativa e me conhecem bem, que tivessem me esperado, que essa foi uma viagem que eu já falava há 15 dias pelo menos, que era a única folga que nós teríamos. Eu achava que deveria ter sido conversado. Se eu tivesse que pedir desculpas a alguém, eu pediria. O que tivesse de fazer eu faria para que o trabalho tivesse continuidade. Agora jamais, de maneira nenhuma, em pensei em agredir a qualquer pessoa ou alguém. Isso não é do meu perfil e eles sabem muito bem disso.

Acho que caberia uma conversa e até que me falassem: você tá errado e tal, vamos ver onde é que a gente pode acertar. Mas não essa iniciativa, que é comum dentro do futebol. 

Bom funcionário
Falaram, principalmente a figura do presidente, que eu sou uma pessoa de caráter, sou um ótimo profissional, que sou um cara justo, um cara digno. Eu acho que você gostaria de ter uma pessoa dessas ao seu lado para trabalhar. 

Vítima de maldade
O futebol é muito feito de vaidades, não tem jeito. E a gente vai até determinado ponto. Eu também vou até determinado ponto, tento ser tolerante em tudo. Tento conversar com todos, tento dizer a todos que precisa se reciclar, se estudar, se tornar mais profissional, modificar uma cultura, ter planejamento estratégico dentro do clube... Olha quanta coisa pode ser feita, e elas estavam sendo feita, tudo dentro das possibilidades do clube. Mas infelizmente foi interrompida por alguém com má intenção, que de uma forma ou de outra fez um vídeo explorando coisas ruins que talvez eu tenha falado, mas jamais me referi a atleta de maneira agressiva, jamais agredi a qualquer atleta. E toda vez que eu utilizo um palavrão meio forte, eu peço logo desculpas a ele e foi assim que eu agi.

Eu acho que me sinto muito prejudicado e o meu sentimento é muito forte

Chance de reviravolta?
Não acredito que venha a existir porque as pessoas são muito vaidosas e acho que você reconhecer um erro, e eu estava predisposto a isso, estou disposto, pedi desculpas, peço desculpas a torcida, aos atletas que se sentiram ofentidos, comissão técnica. Mas eu acho que a gente tem de primar pelo trabalho. Quando eu falei de trabalho, trabalho e trabalho dentro da reunião, isso ninguém colocou. E quando eu falei que nós deveríamos também trabalhar pelo nosso salário, isso ninguém colocou. 

Quem tentou fazer alguma coisa, teve sucesso. Mais uma vez, esse mal miserável que está assolando esse país, venceu.

Não havia proposta de outro clube
Eu escolhi vir pra cá por causa do trabalho, da região que eu gosto e que eu achava que iria dar certo.

Eu não tinha proposta de ninguém. Quem estiver falando isso também, está falando uma mentira. E na época que veio uma proposta eu falei que estava no River e satisfeito com o que eu ganhava e o que eu fazia. Eu entreguei minha alma aqui dentro, eu botei um trabalho com alma.