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Governo do Piauí quer retomar Bolsa Atleta com benefícios de até R$ 900

Foto: Roberta Aline/Cidade Verde

Atletismo, ao lado do judô, fica com a maioria das bolsas, de acordo com projeto que tramita na Alepi

O governador Wellington Dias (PT) enviou para a Assembleia Legislativa projeto para a retomada do programa Bolsa Atleta no Piauí. O texto foi lido em plenário ontem (6) e começou a ser analisado pelos deputados estaduais. Ele prevê que atletas e técnicos poderão ser beneficiados com benefício máximo de R$ 900 mensais, a serem pagos pela Fundação dos Esportes do Piauí (Fundespi) por um ano. 

O programa foi desativado em 2010 e assim continua, mesmo após várias promessas, propostas e gestores.

Na justificativa do novo projeto, o governador alega que o Bolsa Atleta Piauí "objetiva valorizar e beneficiar atletas e técnicos representantes do Estado do Piauí em competições internacionais, nacionais, regionais, estaduais e municipais, prioritariamente, em modalidades olímpicas e paraolímpicas reconhecidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro ou pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro".

Veja o projeto na íntegra

A lei, se aprovada, determina que serão concedidas 70 bolsas, divididas entre atletas de modalidades individuais (46) e coletivas (8), além dos técnicos (16).

Para receber a bolsa, é preciso estar até em oitavo lugar no ranking da modalidade (seja ele municipal ou internacional), no caso das modalidades individuais. Já nos esportes coletivos, será preciso que as entidades esportivas indiquem os atletas beneficiados. 

Veja o quadro com a quantidade de bolsas propostas:

Os competidores terão seus resultados avaliados por uma comissão de nove pessoas, que incluirá diretores da Fundespi e representantes do Conselho Regional de Educação Física, Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e federdações esportivas. A análise será feita de acordo com uma tabela que atribui pontos para cada conquista. Menor renda familiar, estudar na rede pública e ter maior idade servirão como critérios de desempate, se necessário. 

Para ser beneficiado, é pré-requisito não ter emprego com carteira assinada, não ganhar Bolsa Atleta Nacional ou Municipal, "não possuir patrocínios financeiros provenientes de pessoas jurídicas públicas de qualquer valor, e não receber benefício de órgãos públicos para o mesmo fim".

Análise preliminar
Quem acompanha o trabalho deste jornalista que vos escreve sabe da briga pela retomada do Bolsa Atleta. Ter ao menos o recurso para pagar a passagem de ônibus ao local de treinamento é o mínimo e muitos valores do esporte piauiense.

Portanto, é melhor ter o Bolsa Atleta do que não ter. Mas como o projeto ainda será discutido pelos deputados, algumas alterações podem ser interessantes.

Nas modalidades coletivas, o rúgbi não aparece. Entre as individuais, triathlon, skate e surf estão fora da lista. São esportes olímpicos com atletas no Piauí - já fomos campeões da Liga Nordeste de Rúgbi no masculino e tivemos jogadora na seleção brasileira feminina, por exemplo. E temos triatletas convocados para competirem no exterior. 


Time do CAIC tem feitos internacionais. Mas handebol só teria uma bolsa (Washington Alves/Exemplus/COB)

A quantidade de bolsas também é algo que pode ser discutido. Talvez caiba até um critério para definir quantas vagas cada modalidade pode ter. Até porque, em termos de resultados, temos mais atletas do handebol merecendo no momento, mas o esporte aparece com apenas uma bolsa, enquanto futebol e vôlei têm duas.

Por sinal, a quantidade de vagas para os esportes coletivos, que como o nome já diz, tem suas conquistas feitas em equipe, é bem pequeno. 

São ajustes. E como falei, é melhor ter alguma coisa do que perder o incentivo. Mas a lei pode ser aperfeiçoada, ainda que não seja possível garantir o número ideal de bolsas para cada modalidade.

Por hora, o mais importante é que saia do papel. O esporte piauiense cansou de esperar.