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Vitória de 5 a 0 do Piauí no TJD rebaixa Picos. Faltou provar a intenção do 'cai-cai'

Foto: Fábio Lima/Cidade Verde

O River nem foi ao Tribunal de Justiça Desportiva do Piauí, para acompanhar a sessão desta quinta-feira (4). Estava certo de que viu um criminoso e presenciou sua fuga - e talvez por isso acreditasse na sua condenação. Só faltou provar que a arma estava na mão dele. 

Aliás, nesse caso, o suspeito poderia até cometer o crime sem arma em punho. Porém, seria preciso descobrir que na sua mente havia essa intenção. E ler pensamentos, só em ficção.

O Piauí Esporte Clube tinha três jogadores expulsos e uma cobrança de falta a ser defendida na reta final do jogo, que estava empatado em 1 a 1 - e assim terminou, antes do tempo regulamentar porque dois atletas do rubroanil desabaram em campo. Eu mesmo vi gestos de um membro da comissão técnica, subindo e descendo os braços, como se orientasse a queda simulada.

O tal suspeito da metáfora é o time rubroanil: foi "pego no flagra", mas sem revólver, sem porrete, nada nas mãos. É aquele que o policial vê em atitude suspeita próximo a uma loja que foi assaltada, mas o cara é revistado e não acham nada. Mesmo que ele realmente tenha cometido o crime, como provar?

Já dizem os juristas, ao citarem princípios fundamentais do Direito: melhor livrar alguém praticamente considerado culpado do que condenar um inocente. Não se pode haver dúvida. Doze homens e uma sentença, drama eternizado no cinema, dá uma aula sobre isso.

Não bastasse a subjetividade do caso como dificuldade para provar o "cai-cai", o clube apresentou laudos feitos pelo médico Thiago Diniz, que lembrou: dor de paciente não se questiona. Como é que você vai sentir a minha dor se ela não é sua? Prove que Nil e Cinelton estaval fingindo! 

O 5 a 0 era esperado e, jurídicamente, nem dá para dizer que o TJD errou. Mas que o jogo teve a maior cara de "cai-cai"... 

E Picos, enfim, foi rebaixado - algo definitivamente inesperado em janeiro. E nem dá para por a culpa no Tribunal, porque a campanha do Zangão foi decepcionante a ponto de se torcer para um rival perder pontos no "tapetão".  

Mas como um auditor do TJD lembrou, não dá para banalizar - e por isso, o julgamento era, sim, importante. A absolvição do Piauí não pode significar que todo time pode cair em campo que ficará por isso mesmo, como reclamou o técnico do River, Eduardo Hungaro, após aquela partida. 

O rubroanil foi inocentado graças aos argumentos e provas apresentados - o clube, por sinal, foi elogiado no tribunal por fazer sua defesa, o que outros (pasmem) normalmente não fazem. Depois que, de posse de novas provas da defesa, o procurador que ofereceu a denúncia pediu a inocência do Piauí, faltou quem contradissesse o Enxuga-rato. 

O time ainda saiu lucrando com os jogadores Dudu e Testinha livres de punição maior que da expulsão daquela partida. E também com o técnico Fabiano Macau suspenso por 15 dias - ao invés de 45, como queria o relator. 

Sábado tem semifinal: o primeiro encontro entre River e Piauí após o jogo que foi parar no tribunal. É hora de voltar as atenções para dentro de campo.