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River 1x3 Altos - título incontestável

Foto: Luís Júnior/A.A.Altos

Uma empate e uma vitória para cada lado até ontem. O tira-teima entre River e Altos foi para não deixar dúvidas. 

Por mais que o River tenha melhorado nos últimos jogos, ficou difícil para Eduardo Hungaro com os desfalques do atacante Rodrigo Tiuí, expulso, e do meia Keninha, lesionado. Qualquer baixa no Galo faria diferença para enfrentar um dos favoritos ao título. 

Difícil porque o time do Altos é bom - inclusive, é melhor que o River. Tem tomado sustos nos últimos jogos, como a derrota para o próprio Galo na fase classificatória e a vitória apertada na semifinal contra o 4 de Julho. Mas ontem, o time não sossegou e buscou cada lance. A insistência no primeiro gol, de Tavares, é prova disso. 

Outra qualidade a se exaltar no elenco do Jacaré é a tranquilidade que o time teve para reagir depois de sofrer o gol de empate de Osmar. Foi persistente nisso, obediente taticamente. Não se abalou com o resultado adverso e teve calma para reaver a vantagem no placar, com Esquerdinha e Jeremias. 

Ao contrário de 2016, quando o time ganhou do River dentro de campo e perdeu no tapetão pela lambança que fez na contagem dos cartões amarelos, o Altos leva o seu primeiro troféu de campeão do turno para casa sem chance de devolução. 

Em ascensão meteórica, comum de todo clube do interior do Piauí lançado com apoio da prefeitura de seu município, o Altos tem a missão de representar o estado novamente na Copa do Brasil e Copa do Nordeste em 2018. Mais adiante, sua missão precisa ser a de não repetir os destinos de Barras, Oeiras e outros times com trajetória semelhante. 

Não gosto de falar em Manga Mecânica justamente porque espero que o destino do Altos não seja o da Laranja Mecânica holandesa dos anos 1970 - que jogou, encantou, e não foi campeã. O torcedor altoense merece vida longa ao seu futebol. 

Polarizado na última decada entre Parnahyba e River, o futebol piauiense ganha uma terceira força, que na verdade hoje é a primeira. Time de melhor campanha no campeonato, o Altos terá vantagem do empate na disputa do título. Mas todo cuidado é pouco com o arrumado time do Tubarão. 

Ao River, depois da ressaca após a derrota, é preciso esfriar a cabeça para não tomar decisões precipitadas - ainda que decisões precisem ser tomadas. Se o Galo quer o acesso para a Série C do Brasileirão, precisa corrigir seus erros e talvez até de novas peças - o que possívelmente implicaria na saída de alguns nomes por conta da situação financeira do time. Faltam 10 dias para a estreia na Série D e há tempo para pensar nisso.