Cidadeverde.com

Sociólogo defende punição a clubes por violência em estádios: 'são coniventes com esses bandidos'

- Apesar de grande parte dos diretores de clubes e de presidentes negarem, ainda hoje no Brasil uma grande parcela de diretores e presidentes de clubes são coniventes com esses bandidos, financiam esses caras como cabos eleitorais para as políticas internas dos clubes e para as políticas externas, quando eles se candidatam a cargos eletivos. 

As palavras são do sociólogo Maurício Murad, em entrevista ao Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde, nesta terça-feira (11). Professor da Universidade Salgado Oliveira, no Rio de Janeiro, ele pesquisa a violência nos estádios desde os anos 1990 e escreveu obras como "A Violência no Futebol", relançada no início deste ano. 

Murad relatou que o Brasil é hoje o país onde mais se mata torcedores no mundo. Mas nos últimos três anos, apenas 3% dos crimes cometidos no universo do futebol foram punidos até as últimas consequências. Medidas imediatas só surgem diante de um corpo morto, como o do torcedor do Vasco assassinado no último sábado (9), após a derrota por 1 a 0 para o Flamengo, no Rio de Janeiro. 

Ainda assim, a punição é vista como apenas um aspecto. O pesquisador lembra que a Força Jovem, maior torcida do Vasco, está banida dos estádios - o que não impediu o novo vexame no último fim de semana. Maurício Murad defende punições criminais que sejam tão claras como as imagens que registraram o episódio do último sábado. 

O pesquisador também é favorável a uma auditoria nas torcidas organizadas, para investigar supostas relações com milícias e outros grupos criminosos, que teriam membros infiltrados entre os torcedores. Ele questiona quem financia as torcidas a ponto de garantir integrantes livres em qualquer horário para pressionar diretores na porta de um clube, por exemplo. 

Torcedor do Vasco, Murad esteve no jogo do último sábado (9) entre Vasco e Flamengo, e fez uma análise sobre tudo o que aconteceu e o momento atual do país. 

Observações importantes para que possamos evitar, no Piauí, a repetição de situações lamentáveis vividas nos grandes centros.

Ouça a entrevista na íntegra: