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Sucessor de Lula Ferreira, Cesarino Oliveira deixou sua marca na FFP

Foto: Wilson Filho/Cidadeverde.com

Cesarino de Oliveira Sousa parte repentinamente e cria um novo marco na cronologia da Federação de Futebol do Piauí (FFP). 

O ex-jogador foi eleito presidente da FFP em um momento conturbado, no final de 2011, quando o ciclo de 18 anos de Lula Ferreira no comando da entidade chegou ao fim. 

Na eleição de dezembro de 2010, Cesarino foi vencido por Lula Ferreira por apenas um voto de diferença. Dívidas do presidente reeleito fizeram o caso ser levado para a Justiça, o que quase paralisou o futebol piauiense por meses. 

Em um novo pleito, em 2011, Cesarino Oliveira venceu o deputado estadual Júlio Arcoverde, sem Lula Ferreira na disputa.

Foi o fim da Era Lula Ferreira. A promessa do sucessor era imprimir uma agenda de mudanças na FFP.  

Em dois mandatos, Cesarino Oliveira tem méritos a serem reconhecidos - e que vão além de uma necessária reforma na sede da entidade. 

O mais relevante talvez seja o empenho para tirar o Piauí da região Norte no mapa da Confederação Brasileira de Futebol e, junto com o Maranhão, participar da Copa do Nordeste. 

Com diálogo mais brando que o do antecessor, conseguiu melhorar as relações da FFP com o poder público, imprensa e outras entidades. 

O futebol piauiense deu demonstrações de mais organização. Foi nítida na gestão de Oliveira a preocupação com os produtos da FFP. Pode parecer o mínimo, mas foram melhorias na sua gestão desde a divulgação antecipada de tabelas até a organização no dia dos jogos. 

Amparado pelo Estatudo do Torcedor, foi irredutível nos apelos de clubes que queriam disputar o Campeonato Piauiense sem passar pela segunda divisão, algo que contribuiu com a tentativa de melhorar o nível técnico da competição - e que pode mudar em 2019, mas deixo minha crítica para momento oportuno. 

É provável que ele seja menos lembrado no futuro por suas relações políticas. Cesarino Oliveira foi aliado, por exemplo, de Marco Polo del Nero, hoje banido do futebol mundial pela Fifa. Mas o piauiense conseguiu transitar entre as gestões da CBF sem levar todo o peso da imagem negativa dos dirigentes da entidade. 

O que Cesarino Oliveira não conseguiu antes de falecer, nesta quinta-feira (1º), foi o que estava fora do seu alcance: melhorar o Piauí como um todo. O futebol do estado jamais crescerá só com o esforço da FFP. 

Quem acompanhou o futebol piauiense nos últimos anos viu a Federação trabalhar fora de sua alçada. Nas ações para reabertura do Albertão, em alguns momentos parecia que o gestor público era Cesarino. Até improvisar um placar eletrônico no Lindolfo Monteiro foi iniciativa da entidade. 

Na FFP, Cesarino buscou mobilizar clubes, torcedores, poder público, empresários e entidades precisam para que contribuíssem com o futebol - e em parte até já colaboram, mas ainda temos muitos problemas a serem superados. 

Cesarino Oliveira era vice de Lula Ferreira e rompeu propondo mudanças no futebol piauiense. Pode não ter sido o suficiente, mas deixou sua contribuição. 

Seu sucessor, Robert Brown Carcará, terá um grande desafio pela frente. E os demais sucessores também.