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River 3x0 Altos: a história do time que não ganharia nada e foi campeão piauiense

  • river-altos-final-2-10.jpg Victor Costa / River AC
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A decisão do Campeonato Piauiense de 2019 começou em dezembro de 2018. 

Foi quando o bicampeão Altos e o vice-campeão River começaram a apresentar seus jogadores. 

Reunidos longe do Piauí, o presidente Warton Lacerda e o então treinador Leandro Campos indicaram as peças que queriam para o Jacaré. E não foram muitas, se pensarmos que o time tinha três torneios pela frente. 

Também longe do Piauí, Oliveira Canindé conversava com a diretoria do River para contratar os jogadores do time de 2019. O Galo fez uma reformulação quase que total no elenco e aproveitou revelações do seu próprio poleiro.  

Altos e River começaram mal a temporada. Os resultados não vinham. 

Oliveira Canindé caiu. Veio Rodrigo Fonseca, fez um jogo e criticou o elenco - disse que o time se arrastou em campo. Caiu no dia seguinte. 

Do lado do Altos, os problemas continuavam. Os resultados ruins se acumulavam, mas Leandro Campos só caiu depois de uma derrota para o River já comandado por Flávio Araújo. 

E o problema nem era o "Felipão do Nordeste". O elenco enxuto começou a sentir as pernas pesarem. As lesões apareceram. Os cartões amarelos tiraram jogadores das partidas. Alguns reforços vieram, mas um deles, o meia-atacante Wesley, não durou uma semana no time. 

Maurílio Silva chegou tendo de administrar o desgaste físico do elenco. E veio depois do prazo de inscrições de jogadores ter sido encerrado. 

O primeiro passo foi melhorar o time defensivamente. Mas faltava tempo para resolver outras coisas. 

Sem Manoel, lesionado ainda em janeiro, o ataque era oscilante. A lateral direita era um problema frequente. Ademir é um bumerangue no departamento médico. O reserva Barata não correspondeu ao esperado. 

No jogo final, era preciso usar todas as peças disponíveis. Maurílio parou de improvisar um zagueiro na lateral direita e apostou no retorno de Ademir. Colocou na frente Ancelmo, Humberto, Raphael Freitas e Manoel. Era tudo ou nada. 

O Altos precisava vencer por dois gols de diferença. Mas não conseguia sair do campo de defesa. O River marcou a saída de bola e fez o bicampeão piauiense dar chutão para tentar encontrar alguém no ataque. 

Mesmo com as dificuldades, o lateral Wesley acertou um chute no travessão, aos 8 minutos do primeiro tempo. 

O Altos precisava de um gol para por fogo no jogo. Mas viu o River abrir o placar com o único reforço que chegou ao time para Flávio Araújo. 

O novo treinador do River queria quatro atletas para completar o elenco. Só recebeu o atacante Cris Maranhense. E foi ele que recebeu a bola na cobrança de escanteio e abriu o placar, aos 24 minutos do primeiro tempo. 

Foi o único gol dele no campeonato. E não precisava mais do que isso. 

Minutos depois, Manoel perdeu uma chance daquelas, sozinho com o goleiro Mondragon - o melhor da competição. 

Com vantagem ampliada, o River começou a dominar a partida e mostrar que o trabalho de Flávio Araújo deu certo. O treinador, que não tinha motivos para esconder a escalação - entregue faltando meia hora para o início da partida por conta da demora do adversário em fazer o mesmo -, conseguiu dar padrão de jogo ao time tricolor. O Galo sobrou em campo. 

Aos 42 minutos, cruzamento na direita do ataque tricolor e Bismarck, com seus 1,77 metro de altura, marcar de cabeça. O meia, injustamente criticado no começo da temporada, só veio ao River porque o clube precisou repor a saída de Medina, que foi embora para o Sampaio Corrêa (MA) dias depois de ser apresentado no poleiro do Galo. 

O Altos precisava fazer quatro gols no segundo tempo para ser campeão. E entrou em campo demonstrando pouca convicção de que isso seria possível. 

O que se viu na etapa final foi a coroação do trabalho do River, que foi mais rápido para corrigir seus erros no começo da temporada. 

Biro Biro foi incansável na lateral esquerda. 

Sem muitas oportunidades no ano passado, o volante João Paulo deu sangue pelo time e provou ser uma das mais promissoras crias do Galo.

E Eduardo, no que prometeu ser o último ano de sua carreira, fechou o Campeonato Piauiense com chave de ouro. Aos 12 minutos do segundo tempo, marcou o terceiro gol do jogo e se isolou na artilharia da competição, com 8 gols. 

Justo ele, que não podia postar em rede social uma foto de um momento de folga. Era chamado por torcedores de "Edu Cachaça" e ouvia que já deveria ter parado de jogar. Aos 38 anos, foi aplaudido de pé ao sair do jogo, ergueu a taça do 31º título piauiense do River e foi o mais abraçado pela torcida no fim da partida. 

Partida que acabou aos 43 minutos do segundo tempo. Pra que acréscimos? Diego Castro entendeu que era hora de deixar o River festejar. 

Título incontestável, sem dar brechas sequer para aquele discurso de "A Federação quer que o River ganhe". 

E o Galo foi campeão com o elenco que, no início do ano, era o time que não ganharia nada.