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De "danado" na escola a revelação do atletismo: conheça a história de Luís Fábio

Fotos: Letícia Santos/Cidadeverde.com

Quando era criança, Luís Fábio da Cruz Rodrigues jogava pedras em árvores na tentativa de caçar passarinhos. E que me perdoem os ambientalistas, mas isso pode ter ajudado - e muito - no surgimento de um dos atletas mais promissores do esporte piauiense. 

Os movimentos para lançar pedras ao alto contribuiram para o desenvolvimento motor de Luís Fábio, que hoje só caça medalhas. Agora com 18 anos, o atleta aprimora a habilidade desenvolvida na infância para voar alto no esporte. 

O jovem do bairro Santo Antonio, zona Sul de Teresina, é vice-campeão sul-americano sub-20 no arremesso de peso, no qual joga uma bola bem mais pesada que as pedras usadas na sua aventura inocente durante a infância: 6kg. 

Neste fim de semana, o peso da bola de metal será de 7kg. Luís Fábio embarcou no início da tarde desta quinta-feira (27) para o Troféu Norte-Nordeste Adulto de Atletismo. Hoje, ele se destaca entre os 29 nomes da delegação piauiense que competirá em Recife (PE).

Luís Fábio é o único atleta do Piauí convocado para o Pan Sub-20, que acontecerá em julho, na Costa Rica. Será apenas a segunda viagem internacional de sua vida - a primeira foi para a Colômbia, onde conquistou a prata do sul-americano, neste mês de junho. 

Mas para chegar aos resultados de hoje, o caminho foi longo - e não haveria de ser diferente. 

- Eu estava desandando na escola. Eu vi o professor dando aula de salto em altura. Eu nunca nem tinha ouvido falar em atletismo, não era muito ligado em esporte... Ele sempre me olhava estranho, porque eu não era um bom aluno. Cheguei pedindo para treinar e ele me deu essa oportunidade. 

Nas aulas de atletismo, o professor Alberto Sobrinho descobriu que salto em altura não era a melhor habilidade de Luís Fábio. O jovem surpreendeu no arremesso de peso e também evoluiu no arremesso do disco. Em seu primeiro Troféu Norte-Nordeste, em 2015, o atleta estreou com um sétimo lugar. 

O crescimento foi gradativo, mas em 2017, quando se tornou campeão brasileiro, Luís Fábio percebeu que realmente levava jeito para o esporte. 

- Eu só queria ir porque achei interessante, mas pensava: não vai dar em nada. Acabei que evoluí tanto na escola, nunca mais quis saber de reprovar. (...) Evoluí também no meu condicionamento físico, minha saúde melhorou, e me descobri como um verdadeiro atleta. 

A partir de então, o sonho ficou maior. Luís Fábio batalhou até conquistar sua primeira medalha internacional.


Luís Fábio e a medalha de prata conquistada ma Colômbia - a primeira dele fora do Brasil

Reviravolta na escola
Luís Fábio visitou, nesta semana, a escola municipal João Emílio Falcão, onde sua aventura esportiva começou. Fez questão de levar para todos a medalha de prata conquistada na Colômbia.

O garoto "danado" virou exemplo. 

- Eu já mudei lá mesmo. Em 2015, mudei totalmente. Lá eu fui criado, lapidado. Lá me deram uma estrutura. Quando eu ia viajar, as professoras mesmo faziam uma vaquinha, me ajudavam a viajar. E a diretora foi meio que uma psicóloga pra mim. Sentava comigo, me ajudava: "Tá com problema familiar? Sente aqui, vamos conversar". 

 

 

Treino interrompido por peladeiros
O sucesso recente no esporte não mudou a rotina de Luís Fábio, que treina no campo de futebol do bairro às 14h30. Com poucos recursos para o transporte, a pista de atletismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) é visitada por ele com pouca frequência. 

O campo de futebol é mais próximo de sua casa e serve também para outros alunos do treinador Alberto Sobrinho, que correm, lançam dardos, arremessam... O chão batido, eles aprimoram a técnica - o que podem fazer em qualquer área com espaço suficiente. 

O horário parece ingrato - e é. 

- Só dá tempo comer, banhar, sentar um poquinho, responder alguém no Whatsapp e vir treinar. 

Mas esse horário tem razão de ser. A turma do futebol chega quando o sol começa a castigar menos. Os peladeiros tomam conta do campo sem fazer cerimônia.  

- Quatro, quatro e meia no máximo, a galera do futebol tá chegando e a gente tem que vazar.   

Luís Fábio não reclama de nada. Todas as respostas do atleta são acompanhadas do sorriso de quem já aprendeu a lidar com todas as dificuldades que surgirem. 

Sucessor de Darlan Romani?
Ciente do seu potencial, o piauiense sonha com os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. 

Para isso, Luís Fábio sonha em alcançar as marcas obtidas pelo catarinense Darlan Romani, 28 anos, atual recordista brasileiro. 

- É quase impossível eu pegar ele agora. É um atleta muito bom. Presenciei ele arremessando a marca de 22 metros, primeiro brasileiro a arremessar essa marca. 



Darlan Romani (Wagner Carmo/CBAt)

 

Com peso um quilo mais leve, Luís Fábio alcançou 18m88 no último Campeonato Brasileiro Sub-20. Até os 22 metros, há um longo caminho pela frente. 

O crescimento no arremesso de peso fez o piauiense começar a observar a carreira de Romani. Luís Fábio comparou seus resultados de quando o catarinense tinha sua idade e ficou otimista: já fez marcas melhores e quer continuar progredindo. 

- França 2024 eu creio. Se eu continuar nesse ritmo, 2024 é certeza.