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Rebelião no CEM termina após 3h e adolescentes são isolados

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Atualizada às 7h15 (23/05)

O coordenador do CEM (Centro Educacional Masculino), Herbert Neves, afirmou que a rebelião ocorrida na noite de ontem (22) foi "puro vandalismo" e admitiu que as câmeras de segurança do local estavam desligadas.

"Não recebemos sequer uma única reivindicação. Fomos pegos de surpesa. Ontem não havia nada que indicasse essa atitude. A única coisa que saiu da rotina foi a interceptação de um celular e cigarros, por volta das 17h15", explicou o coordenador.

Herbert disse que há falhas no sistema de monitoramento e as câmeras não estavam funcionando, mas garantiu que todas as providências estão sendo tomadas para resolver o problema. 

O coordenador explicou ainda que os internos tiveram acesso a todas as áreas do CEM porque a rebelião começou depois do jantar, quando as portas estavam abertas. "A participação foi maior das alas A e B. Depois do jantar, eles tentaram render os funcionários", acrescentou.

O comandante de Policiamento da Capital, coronel Alberto Meneses, disse que após controlar a rebelião, ficou resolvido que uma equipe da Polícia Civil se deslocou até do Centro para pegar o depoimento dos adolescentes, que por causa da estrutura da Central não daria para colocá-los. 

"Tomaram os depoimentos de alguns menores no CEM mesmo, por causa de estrutura não dava para deslocá-los até a Central de Flagrantes, colocá-los junto com os adultos. Então entraram em contado com o delegado James Guerra que enviou uma equipe até o CEM para pegar depoimentos das lideranças", afirmou o coronel Alberto. 

Ele disse ainda que os adolescentes não foram transferidos, estão em uma parte reservada do Centro Educacional. 

Atualizada às 21h48

Jovens internos no Centro Educacional Masculino se rebelaram no começo da noite desta quarta-feira (22). A ala A da unidade de recuperação de adolescentes infratores no bairro Itaperu, zona Norte de Teresina (PI), foi tomada por volta de 19h. O tumulto foi controlado mais de duas horas depois, com 30 transferidos para a Central de Flagrantes.

Geísa Chaves/Cidadeverde.com

O diretor de Atendimento Socieducativo da Secretaria de Assistência Social (Sasc), Etevaldo Brito, informou que os danos foram patrimoniais e não há registro de jovens com ferimentos graves. Entre os prejuízos estão carteiras, livros, vidros e colchões novos, adquiridos há dois meses. A cozinha foi destruída.

A juíza da Infância e Juventude, Maria Luíza de Mello Freitas, foi ao CEM acompanhar a situação. Reunida com diretores da unidade e da Sasc, ela decidiu pela condução dos 30 menores que participaram do ato para a Central de Flagrantes. 

Os alojamentos não foram destruídos e a transferência de jovens para passar a noite em outro local é desnecessária. Outros 17 não participaram do movimento.  

Parte do efetivo da Polícia Militar destacado para o local vai permanecer para dar segurança durante a madrugada. O tenente José Monteiro, das Rondas Ostensivas de Natureza Especial, informou ao Cidadeverde.com que foram levadas 10 viaturas da. O Corpo de Bombeiros também foi acionado.

Os jovens queimaram colchões, arrombaram cadeados e também atiraram pedras contra os policiais. 

Antes dos jovens se rebelarem, educadores do CEM interceptaram um pacote com um telefone celular e uma carteira de cigarro. Etevaldo Brito confirmou que esse foi o único fato atípico do dia, mas não pode garantir se foi o motivador do incidente.

Outros casos
A última rebelião registrada no CEM ocorreu em dezembro de 2011 e teria sido motivada apenas por vandalismo, sem pauta de reivindicações, a exemplo do que ocorreu agora. 

Em janeiro deste ano, sete jovens renderam dois educadores e conseguiram fugir do CEM.

Com capacidade para 60 jovens, o Centro Educacional Masculino conta atualmente com 47 internos, parte deles acusados de homicídio.

Fábio Lima e Caroline Oliveira
Atualização de Jordana Cury
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