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Niède Guidon demite funcionários e há risco na proteção da Serra da Capivara

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A presidente da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), Niède Guidon, iniciou um processo de demissão dos últimos 60 funcionários do Parque Nacional Serra da Capivara. A fundação administra o local em cogestão com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O motivo é a crise financeira que assola o parque, declarado em 1991, Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Durante um jantar realizado nesta segunda-feira (3), o deputado federal Paes Landim (PTB) chegou a entregar uma carta à presidente Dilma Rousseff (PT) onde relata o drama vivido pelo mais famoso ponto turístico da região sul do Piauí.

“O Landim disse que ia entregar uma carta à presidente com as informações que passei pra ele. Nós demos aviso prévio para os últimos 60 funcionários do parque, já que o recursos que temos só conseguimos pagar mais um mês de salário. Dois terços já haviam sido demitidos, agora são os últimos”, relatou a pesquisadora Niéde Guidon ao Cidadeverde.com.

A medida drástica coloca a segurança do Parque em risco. Das 28 guaritas, apenas 12 estavam funcionando. Com a demissão dos últimos funcionários, o local ficará totalmente sem fiscalização.

“Agora a gente não sabe como vai ficar. As guaritas ficarão sem funcionar e ficaremos sem proteção. As guaritas mais distantes e que já estavam desativadas sofreram depredação. Arrancaram até as privadas e as placas solares. É uma destruição terrível de um patrimônio imenso que conseguimos construir e o Brasil não toma conta”, relata Niéde.

A esperança da pesquisadora a curto prazo é uma reunião esta semana com representantes da Petrobras. “Teremos uma reunião com a Petrobras para saber se ainda vão continuar nos ajudando e, assim, o parque viver por mais um tempo. É muito difícil ter um corpo de funcionários com a instabilidade  de recursos”, conta.

Crise não afeta pesquisa e museu 

Segundo Niéde Guidon, a crise financeira que assola o Parque Nacional da Serra da Capivara não afeta as pesquisas e o Museu do Homem Americano, lugar que guarda as evidências da ocupação humana na região. 

“Entre o parque e museu temos cerca de 270 funcionários, mas só os do parque estão sendo afetados. Os do museu são pagos com recursos do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)”, explica a pesquisadora.


Parque vai ficar sem funcionários em todas as guaritas

Faltam recursos e sobram ministérios

Em tom de desabafo, Niéde Guidon disse que sua última esperança é a carta entregue pelo deputado federal Paes Landim à presidente. “Lutamos tanto estes anos e tudo está se perdendo. Vamos ver se a Dilma responde ao Landim. O pior é que a situação é difícil, já que todos os ministérios estão sem recursos. O governo cortou o orçamento, agora ninguém fala em reduzir ministérios. Não consigo entender a permanência de 39 ministérios, o pagamento de salários”, finalizou.

O jantar de Paes Landim

Segundo o deputado Paes Landim, em postagem na rede social Facebook, o jantar ocorrido na  residência oficial da Presidente da República, no Palácio da Alvorada, reuniu ministros, presidentes e líderes das bancadas aliadas. O encontro, segundo ele, teve o objetivo de aprimorar a relação do governo com o Congresso Nacional. 


Deputado Paes Landim durante jantar com a presidente Dilma nessa segunda-feira (3)
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Fui representando o meu partido, na condição de vice-líder do PTB na Câmara. Aproveitei a ocasião para pessoalmente entregar carta à Presidente Dilma sobre os problemas enfrentados pelo Parque Nacional Serra da Capivara, que enfrenta sérias dificuldades frente a atual crise econômica”, afirmou.

O Parque Nacional (Parna) da Serra da Capivara foi criado através do Decreto de nº 83.548 de 5 de junho de 1979, com área de 100 000 hectares. A proteção ao Parque foi ampliada pelo Decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes adjacentes com total de 35 000 hectares. Localizado no semi-árido nordestino, fronteira entre duas formações geológicas, com serras, vales e planície, o local abriga fauna e flora específicas da Caatinga.

Governo do Piauí liberou recursos

Apesar de a manutenção do parque ser de competência do governo federal, a Secretaria do Meio Ambiente do Piauí liberou no início do mês R$ 270 mil destinados à manutenção do local. Ao todo, segundo a Semar, serão destinados R$ 500 mil. Segundo o governo do Piauí, o repasse, que deveria ter sido feito ainda em 2014, estava atrasado e foi colocado em dia na gestão atual. 

Hérlon Moraes
[email protected]

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