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Bloqueio do WhatsApp comprometeu regulação de leitos em hospitais de Teresina

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O bloqueio do WhatsApp em todo o Brasil, determinado ontem (16) pela Justiça do Estado São Paulo por meio de uma medida cautelar, afetou diversos setores no país. O desbloqueio foi determinado cerca de 11 horas depois. Em Teresina, um serviço de extrema importância foi comprometido: a regulação de leitos entre os hospitais da rede pública municipal. O diretor do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), Gilberto Albuquerque, disse que a situação foi de caos. 

Gilberto informou que o bloqueio do WhatsApp comprometeu diretamente o gerenciamento de leitos do hospital com as demais unidades do município, além da comunicação interna. Segundo ele, existe um grupo no WhatsApp de gerentes, diretores e subgerentes de hospitais da capital, onde se comunicam e monitoram problemas. 

"A saúde hoje está um caos com a ausência do WhatsApp. Com o aplicativo, nós monitoramos as vagas dos hospitais municipais e estamos agora ligando de um por um, para buscar leitos, uma situação horrível", declarou. 

Sobre o grupo, ele disse ainda que o uso é importante para agilizar reuniões e apontar soluções para problemas em muitos casos urgentes ou emergenciais. Segundo ele, não foi possível migrar para outros aplicativos porque nem todos aderiram a outras alternativas nos cerca de 10 hospitais do município. 

Atualmente, somente o Governo do Estado possui um sistema próprio para a prestação do serviço, que é feito por meio da Central Estadual de Regulação de Internações Hospitalares e é feita entre as unidades regionais de saúde do estado. 

 

Alternativas e riscos 

O diretor técnico da Agência de Tecnologia da Informação (ATI) do Piauí, Davi Amaral, destacou que apesar dos prejuízos, a situação pode ser facilmente contornável com aplicativos semelhantes, como Telegram e Viber. 

"Hoje o Whats é o maior aplicativo de comunicação móvel. E depois de passado o momento do susto, as pessoas estão migrando para outros aplicativos semelhantes. Tem aquele momento de paralisação, pela quantidade de usuários, mas afeta temporariamente. Logo as pessoas mudam para outros", disse. 

O uso de VPNs não é aconselhável, segundo o diretor. Muitos usuários do WhatsApp têm instalado as redes privadas com o objetivo de permitir o tráfego de informações de forma reservada, burlando o bloqueio do aplicativo de mensagens. Contudo, Davi alerta para o risco de vazamento de informações. 

"Não é aconselhável usar VPNs, porque não se tem controle do tráfego de informações. Essas redes podem pegar informações sem o usuário saber. Ninguém sabe quem criou essa rede, tem gente que usa o Whats para troca de senha de banco. A maior parte de informações é de cunho financeiro, mas há também compartilhamento de algumas fotos, que podem ser repassadas sem permissão", declarou.  

"O Whats foi um dos primeiros, foi pioneiro. Outro destaque é a força de divulgação dos desenvolvedores. Como logo se popularizou e conseguiu muitos usuários, logo que começaram, a ferramenta se mostrou estável e ficou na liderança", disse. 

Apesar disso, ele lembrou que o bloqueio é temporário. "Não precisa de receio, de susto, logo o aplicativo vai voltar", declarou. 

 

Maria Romero e Yala Sena
[email protected]

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