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Mural pelo Dia da Mulher no IFPI recebe mensagens de ódio dos alunos

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Um mural criado pelo Dia Internacional da Mulher no campus Central do Instituto Federal de Tecnologia do Piauí (IFPI), em Teresina, acabou dando espaço a manifestações de ódio por parte de alguns alunos. Em roda de diálogo sobre Violência Simbólica realizada na instituição no último dia 9, professoras e alunas demonstraram profunda revolta com o ocorrido. A direção informou ao Cidadeverde.com que não foi possível identificar os autores das mensagens ofensivas. 

Professora do Departamento de Formação de Professores do Instituto e coordenadora do Sindicato dos Docentes do IFPI, a professora Patrícia Andrade informou que a entidade pediu providências à direção para identificar os alunos que deixaram as mensagens. 

"Esse tipo de manifestação machista nós já presenciamos todos os dias nas salas de aula, especialmente por parte dos rapazes nos cursos tradicionalmente marcados pela presença masculina. Dessa vez, ficou bastante claro que o machismo está presente aqui. Há mensagens de apologia ao estupro, é um absurdo", destacou a professora. 

Dentre as mensagens ofensivas, havia frases como "Mulher é pra ser 'batida' mesmo", "Meninas, atenção: não machuque o seu coração, machuque o seu útero". Dentre as mais violentas, está: "Rosas eu dou pra quem 'tá morta, pra quem 'tá viva é só ***". O termo ocultado faz referência ao órgão sexual masculino. 

Durante o evento, alunas e mães de alunos se manifestaram destacando o ambiente machista vivido pelas mulheres na instituição. Uma das jovens declarou sofrer ofensas e discriminação por parte dos rapazes e a mãe de um dos alunos afirmou que seu filho é, por vezes, ofendido por ajudar o time feminino de futsal da instituição. 

"Precisamos levar esse debate à sala de aula, não podemos deixar esse assunto restrito à sociologia, tem que estar presente nos cursos tecnológicos, onde a presença masculina é maior. É um assunto que não pode mais ser ignorado", destacou. 

O setor de relações públicas do IFPI informou que a identificação dos autores das mensagens não foi possível devido à ausência de câmeras de monitoramento no corredor onde o mural foi instalado. No campus existem três câmeras, duas delas na biblioteca e uma na entrada do Instituto. 

A instituição destacou que não compactua com as mensagens ofensivas e que considera que os recados de ódio foram uma minoria dentre as demais manifestações. O mural, segundo o IFPI, pedia a participação dos alunos no tema "mulheres presentes", pedindo a manifestação sobre mulheres que estão presentes nas diversas áreas do conhecimento no ambiente global e local. 

O sindicato se manifestou também quanto à confecção do mural, que considerou ofensiva a presença de um embrulho, representando um presente, fazendo referência às mulheres. "É como se a mulher fosse um pacote, um objeto disponível, isso também foi mal pensado, foi agressivo", destacou a professora Patrícia. 

Quanto às manifestações dos alunos, a instituição informou que sediou rodas de diálogo sobre o Dia da Mulher na instituição, promoveu trabalhos, palestras e debates sobre direitos e empoderamento feminino e orientou professores a tratar do assunto em sala de aula. 

 

Maria Romero
[email protected]

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