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Lirinha mostra ?Mercadorias e Futuro? ao público teresinense

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Fotos: Paulo Pereira

Em 'Mercadorias e Futuro', Lirinha une teatro, som, luz e improviso
 
'Mercadorias e Futuro' é um espetáculo teatral escrito e interpretado por José Paes de Lira, o Lirinha, vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado. É um projeto paralelo e experimental do músico dentro de outra linguagem. A apresentação será hoje, às 21h, no Theatro 4 de Setembro. A entrada custa R$ 10 (inteira)e R$ 5 (a meia). 
 
 Mais do que teatro, 'Mercadorias e Futuro' é uma performance que une texto, som, luz e improviso. 'Sempre trabalhei com ritimo e poesia, na fronteira entre teatro e música. Nesse espetáculo radicalizo isso' ? conta o autor, que começou a carreira compondo e recitando poesias aos 12 anos de idade em sua cidade natal Arcoverde, Pernambuco.
 
Na peça, ele interpreta Lirovsky, um vendedor de livros que inventou uma parafernália de máquinas em forma de carrinho para ajudar em seu ofício. Dessa aparelhagem, dispara sons, imagens e luz, pondo em cena um aparato de recursos tecnológicos contemporâneos. São equipamentos que ele mantém ao alcance do corpo, ativando um arsenal de áudios pré-gravados que, junto com os improvisos, se convertem na trilha sonora do espetáculo.

 
'Mercadorias e Futuro' é sobre arte, comércio e direito autoral, sobre a dificuldade de unir arte e negócios, sobre como trabalhar e ganhar dinheiro. Esses temas são abordados através de Lirovsky.
 
Lirovsky é um vendedor de livros e personagem-condutor de 'Mercadorias e Futuro'. Na verdade ele não é um simples vendedor. É um comerciante de registros proféticos, dotado da ciência de colecionar a poesia das predições e de caçar as inscrições do que está por vir. Possuidor do dom de estudar, de decifrar e de narrar mensagens que anunciam o futuro, é também detentor do direito divino de transformar essa narrativa na mercadoria que oferece ao público.

No exercício de sua função de vendedor, Lirovsky ocupará o palco como se ocupasse uma feira, à semelhança dos antigos que vendiam poesia metrificada pendurada em cordões, o que hoje denominamos 'literatura de cordel'.

Além do aparato tecnológico de som e luz, e, claro, das citações dos profetas que compõem o livro, Lirovsky recorre à obra de outros poetas, não ficcionais, para fortalecer seu argumento de vendedor. Aí entra a estética do improviso, decorrente da herança poética do autor, com citações de falas de poetas como Manoel Chudu, Manoel Filó, Cancão e Chico Pedrosa.

O resultado é um espetáculo dinâmico, repleto de referências poéticas tradicionais e contemporâneas, que estabelece um elo entre o arcaísmo das feiras livres e o esbanjamento tecnológico que sustenta os negócios virtuais das bolsas de valores e mercado futuro. O mercado, e sua essência imutável.

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