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Paradinha atormenta os árbitros no Brasileirão

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A vida de árbitro não é fácil. Sobram em campo jogadores catimbeiros, técnicos que reclamam o tempo todo, lances polêmicos e pressão da torcida. Como se já não houvesse problema, surgiu um novo tormento para os juízes: a paradinha. Aquele lance em que o atleta finge que vai chutar - na cobrança do pênalti -, pára, engana o goleiro, e só depois arremata causa polêmica e toma conta das rodas de discussão.

Cléber Wellington Abade, de São Paulo, foi punido na semana passada. Nesta segunda-feira, foi a vez de Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, ser alvo de protestos. Tudo por causa da tal paradinha.

A falta de consenso sobre o tema levou a Confederação Brasileira de Futebol a fazer esclarecimento por meio de seu site oficial: "O ato de utilizar fintas na execução de um tiro penal para confundir os adversários faz parte do futebol e está permitido. Todavia, o árbitro deverá advertir o jogador se considerar que tal finta representa uma conduta antidesportiva." A paradinha, assim, está liberada, desde que não haja excesso. É o que consta na regra 14.

O gol marcado por Alan Bahia, do Atlético-PR, domingo, na derrota para o Palmeiras (2 a 1), revoltou os paulistas. O atacante usou o artifício e deslocou o goleiro Marcos da jogada. Sandro Meira Ricci acertadamente validou o lance e acabou injustamente recebendo críticas. "É preciso ter critérios iguais em todos os lugares do Brasil", esbravejou Marcos. "Vamos entrar com um protesto formal na Comissão de Arbitragem, porque em um jogo há um critério, em outra partida há outro", acrescentou Toninho Cecílio, gerente de futebol, revoltado com a atuação de Ricci.

A irritação do Palmeiras teve início no domingo retrasado, quando a equipe derrotou a Portuguesa por 4 a 2. Alex Mineiro reclamou ter sido proibido de dar a paradinha na cobrança de um pênalti - disse que Cléber Wellington Abade o alertou para não parar antes de chutar. O diálogo com os jogadores sobre a paradinha resultou em punição ao árbitro. Ele foi afastado da escala da última rodada da Série A e teve de atuar na Série C (Guarani x Ituano, em Campinas). "O árbitro não deve explicar a regra nesse momento (do pênalti)", explicou Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem.

Abade acatou a decisão da Comissão, mas negou as afirmações de Alex Mineiro. "O Patrício e o Gavilán disseram que o Alex costumava cometer excessos. Eles falaram em voz alta e eu respondi que o excesso seria proibido", disse o juiz. "O Alex, então, perguntou onde estava escrito isso e eu lhe disse que estava na regra", prosseguiu. "Ele (Alex) perguntou se eu mandaria voltar a cobrança, caso fizesse a paradinha. Disse que, se houvesse excesso e a bola tivesse entrado, mandaria repetir."

Abade reconheceu que não deveria ter conversado com os atletas no momento da cobrança e, por isso, considerou justo o afastamento de uma rodada da Série A. E explicou o que significa o "excesso" no pênalti. "É passar o pé por cima da bola antes de chutar, como faz o Robinho nas pedaladas."
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