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Lollapalooza 2017: veja o resumo do 1º dia

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Kirk Hammett, do Metallica, no show do Lollapalooza 2017 (Foto: Marcelo Brandt/G1)

O Lollapalooza poderia ser o tira-teima para a batalha pop x rock. Mas no que depender do festival, os dois gêneros saíram fortalecidos. Tove Lo, Tegan and Sara e The 1975 cativaram o público do primeiro time e Metallica, Rancid e Cage the Elephant cumpriram o esperado pelos fãs roqueiros. Nem tanto para um lado nem para o outro, The xx fez show emocionante.

Um público recorde, segundo os dados da organização, nos 6 anos de festival foi registrado nessa primeira noite da edição 2017 - o que pôde ser percebido em filas de até uma hora para conseguir bebidas em geral.

Metalica

A banda voltou para sua nona passagem pelo Brasil e apresentou seu novo disco, "Hardwired... to self-destruct". A voz de James Hetfield, que andou falhando em shows recentes, dessa vez segurou bem diante dos fãs brasileiros. Assim, o Metallica cumpriu com louvor a missão de ser o primeiro headliner de heavy metal em uma noite de Lollapalooza nos seis anos de festival em São Paulo.

Chainsmokers

O duo americano Chainsmokers não precisou se esforçar para roubar bastante público da inegável maior atração da noite, o Metallica, que tocou no maior palco ao mesmo tempo. Basicamente, Andrew Taggart e Alex Pall rebolam, cantam pouco e gritam muitas palavras de ordem no microfone ("Quero ouvir vocês falarem yeah", "mãos para o alto", "faz barulho"). Ouvindo em casa, fazendo faxina ou jogando videogame, faz sentido. Mas "ao vivo", ouvidos minimamente exigentes choraram poeira e sangue.

 Perry's maior (e mais cheio)

A maior mudança na estrutura do Autódromo de Interlagos foi o aumento de tamanho do Palco Perry's. Fez muito sentido. A programação dominada por DJs (Marshmello, Tchami, Victor Ruiz) recebeu ótimo público no espaço mais voltado para a eletrônica. E pensar que o Perry's nasceu como uma acanhada tendinha que aparecia mais quando o som dela vazava para os palcos principais.

A maior mudança na estrutura do Autódromo de Interlagos foi o aumento de tamanho do Palco Perry's. Fez muito sentido. A programação dominada por DJs (Marshmello, Tchami, Victor Ruiz) recebeu ótimo público no espaço mais voltado para a eletrônica. E pensar que o Perry's nasceu como uma acanhada tendinha que aparecia mais quando o som dela vazava para os palcos principais.

The xx

O grupo britânico parecia que tinha um som "intimista" demais para um festival de multidões como o Lollapalooza, mas fez um show que levou muitos fãs do grupo às lágrimas. A emoção também chegou atingir a vocalista Romy Madley Croft lá pelo final do show, que teve que se segurar para não chorar.

Tove Lo

Quem não havia visto Tove Lo teve a oportunidade de assistir a uma candidatíssima a estrela em ascensão no pop. Está ali por direito, e não por uma nudez eventual (e bastante veloz, tipo "piscou, perdeu") de meio segundo. Em resumo: descartem-se as danças do tipo "toda se querendo", isto é, a embalagem, resta um conteúdo que faz pensar na possibilidade de, daqui a uns anos, Tove Lo ter espaço no palco principial de festivais.

Rancid

Em cerca de 50 minutos, o Rancid fez valer a dedicação do povo que esperou 25 anos por este primeiro show no Brasil. A banda fez jus à reputação de ser um dos principais nomes punk californiano surgido duas décadas atrás. Foi um show para fãs (do punk e do hardcore dos anos 1990). Uma pregação para já convertidos. Um exercício de nostalgia assumido. Quem já não gostava talvez não seja agora que vá virar admirador... apesar da validade dessas observações todas foi bom o show do Rancid no Lolla.

The 1975

O 1975 estreou no Brasil com um show lotado. É curioso que o a banda tenha um nome cinco anos atrasado em relação à década da qual parece tirar suas maiores referências. O som oitentista parece vir direto da trilha de algum filme antigo da Sessão da Tarde. Mas não são veteranos: os jovens de Manchester renovam o moribundo rock britânico atual. Já adorados por lá, provaram ter fãs no Brasil com letras na ponta da língua. 

Cage The Elephant
Na terceira participação do Cage The Elephant no Lollapalooza Brasil, a recepção foi calorosa tanto dos fãs mais dedicados quanto dos que pareciam conhecer os norte-americanos nessa tarde. A performance do cantor Matt Shultz com trejeitos de Iggy Pop e Mick Jagger sem, claro, atingir graus de excelência em trejeitos de Iggy Pop ou Mick Jagger. Mas aí é colocar o sarrafo muito no alto. Ele se deixava ser agarrado, abraçado e afagado pelo público. E a banda se jogou na plateia e trocou suor com seu fã-clube: ele e o guitarrista foram tocar nos braços da plateia. 

Tegan and Sara

No que depender da ex-roqueiras Tegan and Sara, o rock acabou. O show de estreia no Brasil das gêmeas canadenses não teve sequer uma guitarrinha para contar história. Foi nervoso no começo, catártico no fim (graças a "Boyfriend" e "Closer") para fãs ou curiosos. "Vocês conhecem George Michael. Essa dedico a ele. Eu me inspirei nele para compor", disse Sara antes de "U-turn", citando o cantor inglês morto no fim do ano passado. Foi a deixa para que duas bandeiras do movimento LGBT fossem empunhadas pelos fãs. Elas retribuíram o carinho com duas bandeiras brasileiras. 

Baiana System

Um dos primeiros a se apresentar no palco Axe - "axé", brincava a plateia -, o grupo Baiana System fez o público se mexer como se estivesse no Carnaval de Salvador, mas também organizou alguns "mosh" dignos de roda punk. A despedida do palco foi marcada por um protesto contra o presidente Michel Temer. A banda não carregou tom político tão forte no show do Lolla. Durante a apresentação, grupos pequenos tentaram iniciar o protesto, mas foram ignorados pelos artistas. Após a última música, o grito se generalizou, e o vocalista, Russo Passapusso, respondeu apenas: "A voz do povo é a voz de Deus".

Fonte: G1

Tags: Lollapalooza
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