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Delegados do PI ganham mais que os de SP, afirma Folha de São Paulo

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O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), está certo quando diz que os sindicalistas da Polícia Civil criaram um mito ao propagar a idéia de que o Estado paga os piores salários do país. Os policiais em greve também têm razão quando afirmam que São Paulo não paga um salário condizente com a arrecadação do Estado.

Levantamento feito pela Folha revela que São Paulo ocupa o 9º lugar no ranking dos Estados que pagam as piores médias salariais a delegados. Dito de outra forma, 18 Estados pagam em média melhor do que São Paulo. A pesquisa foi feita em 26 Estados e no Distrito Federal. Quatro Estados não informaram a média (Rio, Mato Grosso do Sul, Piauí e Rio Grande do Norte). Essa lacuna não altera o ranking porque eles pagam pisos superiores à média salarial paulista.

São Paulo paga a delegados em média R$ 7.085,85, valor menor do que Estados muito mais pobres, como Piauí, Alagoas e Maranhão. Policiais civis paulistas estão em greve desde 16 de setembro. A Bahia é o Estado que paga o pior salário médio a delegados. Lá, a média é de R$ 5.427. Quando se analisa o salário inicial, São Paulo ocupa a pior posição no país: o piso é de R$ 3.708,18. O governo paulista diz que esse valor não traduz a realidade salarial da categoria, já que só 15 dos 3.500 delegados recebem esse montante.

DISPARIDADE
Não há a menor relação entre a disponibilidade de recursos para aplicação de um Estado e os salários pagos aos seus policiais, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário. Essa disponibilidade é medida pela receita líquida por habitante -ou seja, a soma de tudo que o Estado arrecada, do que recebe da União menos as transferências de recursos que faz para os municípios.

São Paulo, por exemplo, ocupa a 18ª posição no ranking dos melhores salários, mas o Estado está em 9º lugar em capacidade de aplicação por habitante. "Esse dado derruba o mito de que São Paulo é o Estado mais rico do país. O governo não tem uma disponibilidade de aplicação de recursos muito grande", diz o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

A disparidade de salários é tamanha que um agente em Brasília, cargo similar ao de investigador, começa a carreira com um salário de R$ 8.000, valor superior ao que ganha um delegado de São Paulo com 20 anos de profissão. Brasília tem salários elevados porque os policiais civis ganham como policiais federais e são pagos pela União.

Os salários dependem mais da capacidade de pressão -ou de chantagem- da polícia do que da riqueza do Estado, segundo o sociólogo Claudio Beato, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. "São corporações poderosas, que muitas vezes pressionam o poder político, conseguindo salários que são irreais para alguns Estados", diz.

O caso de Alagoas ilustra bem os salários irreais de que fala o pesquisador. Lá, um delegado ganha em média R$ 11 mil, ou 56% a mais do que em São Paulo. Alagoas paga o 3º melhor salário do país, mas ocupa a 23ª posição na capacidade de aplicação de recursos.

Um dos aumentos da polícia foi obtido há cerca de 20 anos, quando o então secretário de Segurança, Fernando Teodomiro, teve de deixar Maceió porque fora ameaçado de morte por delegados, segundo Stelio Pimenta Jr., diretor jurídico do sindicato da Polícia Civil de Alagoas. "Eles resolveram a questão na base do bangue-bangue", conta.

 


Fonte: Folha Online

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