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No Dia da Mulher, Regina Sousa diz que combate à violência é o maior desafio

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No cargo mais importante do Piauí justamente no Dia Internacional da Mulher, a governadora em exercício do Estado, Regina Sousa, afirmou nesta sexta-feira (8) que  o combate à violência é o maior desafio que elas enfrentam. Muitas carregam no corpo as marcas de espancamento causadas principalmente por companheiros. Outras não tiveram o direito de tentar uma nova vida, já que foram mortas de forma brutal. Só em 2018, para se ter uma ideia, 25 mulheres foram vítimas de feminicídio no Piauí. Em 2019, em pouco mais de dois meses, já são dez mortes.

"O maior desafio é o combate à violência. Temos que enfrentar todos agora juntos. É preciso que cada um faça a sua parte, que use o Salve Maria, ou qualquer outro mecanismo que possa ajudar a salvar a vida de uma mulher”, afirmou durante entrevista à TV Cidade Verde.

Segundo Regina, além da repressão é preciso educação, principalmente em relação às crianças. "Antes acontecia, mas agora está acontecendo mais (mortes). O que há nessa relação entre homem e mulher? A política é a educação. Educar a criança para a não violência. A criança não nasce violenta, ela se torna vendo o pai batendo na mãe. Até que tem ação nas escolas, mas agora com esse patrulhamento", disse, criticando "ideias" que inibem o trabalho dos professores em salas de aula.

Fotos: Letícia Santos

A governadora lembrou também de outro problema: a subnotificação dos casos de feminicídio, onde o próprio aparelho policial muitas vezes colabora com o negligenciamento.

"Há uma certa preguiça. Caracterizar como feminicídio tem uma demanda, então é mais fácil dizer que foi homicídio. Tem essa subnotificação. Em 70% dos casos são os companheiros que praticam a violência. O que explica isso? Como a polícia dará conta disso? Não é só uma questão policial, tem que passar pela educação", defendeu.

Regina lembrou do aplicativo Salve Maria e afirmou que a postura do então deputado federal Jair Bolsonaro, de uma certa forma, contribuiu para que a violência contra a mulher aumentasse.

"As pessoas precisam aprender a usar o aplicativo Salve Maria para salvar vidas. É muito simples e no telefone. O Brasil está vivendo um momento de ódio e mentira. A rede social virou essa praga que poderia ser usada para o bem. O próprio presidente, que antes de ser presidente, verbalizou muita barbaridade contra a mulher, de uma certa forma parece que deu liberdade para as pessoas fazerem essas coisas", criticou.

Reeducação 

Autora de uma lei ainda não aprovada no Congresso que prevê a reeducação de autores de feminicídio e atos de violência, Regina defendeu a criação de uma lei estadual semelhante.

"Os presos por feminicídio precisam passar por reeducação. O processo educativo é importante. Vamos tentar aprovar uma lei estadual para mudar isso", declarou.

Transporte para mãe e filhos

Em homenagem ao Dia da Mulher, a governadora assinou um decreto que regulamenta o transporte gratuito de mães após o parto em todas as maternidades públicas estaduais.

"Nos primeiros dias a criança precisa de muito cuidado. Então é desumano elas saírem da maternidade e irem pra casa de bicicleta, de ônibus, sendo expostas. É um gesto simples que não dará tanta despesa. Se precisar buscar para tomar uma vacina, o transporte também será gratuito", explicou, ressaltando que a Secretaria de Saúde regulamentará a medida.

Regina defende mais mulheres no governo

A governadora disse ainda ao Jornal do Piauí, que vai trabalhar para um maior protagonismo feminino na nova equipe do governador Wellington Dias, que deve ser montada assim que a reforma administrativa for aprovada na Assembleia Legislativa do Piauí.

"Precisamos do protagonismo da mulher no governo. Quando aprovar o essencial da reforma, acredito que o governador começará a fazer as nomeações", finalizou.

Ouça a entrevista da governadora à rádio Cidade Verde

Hérlon Moraes e Lídia Brito
redacao@cidadeverde.com

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