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Irritados com Nuzman, clubes se unem por recursos da Lei Piva

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Se já é obrigado a ouvir críticas por conta da gestão dos recursos do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), além de sua conturbada reeleição no ano passado, o presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, terá mais um assunto a se preocupar a partir de agora.

Insatisfeitos com a postura da entidade nos últimos anos, oito dos principais clubes brasileiros decidiram dar um "basta": nesta terça-feira, um evento em São Paulo selou a formação do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (CONFAO), órgão que visa tirar das mãos do COB uma parcela de 30% das verbas da Lei Agnelo-Piva.



Dizendo-se responsáveis por 77% dos 277 atletas brasileiros que disputaram as Olimpíadas de Pequim, Pinheiros Minas, Sogipa, Flamengo, Vasco, Fluminense, Corinthians e Grêmio Náutico União passarão agora a fazer lobby no Ministério do Esporte para que se retire o decreto presidencial que determina que toda a verba da Lei Piva seja administrada pelo COB. Ou seja: baterão de frente com Nuzman.

"É uma união para buscar os nossos direitos, já que somos os grandes formadores de atletas deste país e temos sido esquecidos e afrontados pela atual gestão do COB", esbraveja Sergio Zech Coelho, presidente da CONFAO e do Minas Tênis Clube. "Somos a base da estrutura do esporte brasileiro, mas hoje não passamos de meros pagadores de taxas e fornecedores de atletas para as seleções. Nunca recebemos um centavo", reclama.

Oriundos da arrecadação das loterias, os recursos da Lei Agnelo-Piva em 2009 totalizam 75 milhões de reais, dentre os quais 15% a lei determina que sejam investidos no esporte escolar e universitário. Do montante restante, 60% são repassados às 27 Confederações e 40% ficam para despesas administrativas do próprio COB, que também alega dar apoio técnico às entidades que regem cada modalidade em âmbito nacional - é esta a fatia do bolo mirada pelos clubes. "E nós, que pagamos as contas dos atletas, chupamos o dedo. Isto é insuportável, é um escândalo para o país", opina Márcio Braga, presidente do Flamengo e vice-presidente do CONFAO.

"As verbas para administração precisam ser limitadas em, no máximo, 20%", continua Braga. Atualmente, o rubro-negro carioca passa por grave crise financeira, a ponto de o clube quase ter sido obrigado a se desfazer dos ginastas Diego e Daniele Hypólito, além de Jade Barbosa - um apoio de última hora vindo da prefeitura de Niterói evitou que os atletas ficassem desempregados. Braga ainda reclama que não há transparência na utilização das verbas do COB. "Se estes são recursos públicos, temos que saber onde estão sendo aplicados", exige.

As relações entre clubes e o COB não é boa há algum tempo. Zech Coelho conta que Nuzman já chegou a participar de reuniões do Confederação Brasileira de Clubes (CBC) dois anos atrás, mas uma reportagem publicada em um jornal o fez cortar relações com a entidade. Desde então, os dirigentes não têm recebido credenciais para acompanhar seus atletas em competições internacionais e mantém uma relação tensa com o COB.

O estopim se deu no final do ano passado. "Houve aquela festa enorme do Rio de Janeiro (Prêmio Brasil Olímpico) usando nossos atletas e nós sequer fomos convidados", lamenta o presidente do Minas. Braga complementa. "O Nuzman, que foi formado em clube, ainda teve a ousadia de me afirmar que não acreditava em clube como formador de atletas. Aí, a história acabou", afirma.

"A palavra é reconhecimento", complementa Arialdo Boscolo, presidente da CBC. "O COB poderia ser nosso parceiro, mas só tem descaso pela gente. Eles dizem que a base da formação de atletas deve ser a escola, mas alguém me fale o nome de uma escola que tenha formado um atleta olímpico nos últimos dez anos?", questionou na reunião. O silêncio foi predominante. "A maioria das escolas nem quadra tem", constatou, exaltado.

Porém, a despeito da promessa de levar longe a briga com o COB, os clubes prometem agir com cautela. "Não cogitamos a possibilidade de orientar nossos atletas a um boicote, pois até hoje conseguimos formá-los e não seria ético e nem justo com eles propor isso", assegura Zech Coelho. "Ninguém quer briga, mas o Nuzman vai ter que fazer porque será obrigado", encerra Antonio Moreno, mandatário do Pinheiros e outro vice-presidente da CONFAO.  

Fonte: IG
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