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Oito clubes rejeitam adiamento; Parnahyba recusa até "Sua nota"

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Enquanto o torcedor espera por notícias de seus clubes, o Campeonato Piauiense, por mais um ano, vive momentos de indefinição. Críticos, dirigentes, e especialistas podem apontar vários culpados, mas uma consulta feita pelo Cidadeverde.com concluiu que o principal problema do futebol estadual hoje talvez seja a falta de uma conversa, um telefonema. Na tarde desta terça-feira (10), representantes dos 12 que vão disputar o torneio se reúnem na Federação de Futebol do Piauí para decidir sobre o adiamento. Mas a queixa geral é outra: falta de comunicação.

"O que nos irritou foi o fato de nós sermos os últimos a saber. Somos filiados, não fomos consultados, e só ficamos sabendo pela imprensa", disse Chico Wilson, diretor do Comercial, que é favorável ao adiamento, desde que o motivo sejam ajustes ao programa "Sua Nota é Show de Bola", em parceria com o Governo do Estado. Aliás, ele é um dos poucos favoráveis. O Cidadeverde.com ouviu entre ontem e hoje pessoas ligadas a 11 clubes (só Oeiras não foi localizado): oito são contra o início do torneio em 28 de fevereiro, dois favoráveis, e um ficou em cima do muro.

O River disse que joga em qualquer data, e não será empecilho para as pretensões de qualquer grupo. A FFP ainda defende o adiamento da rodada que se iniciaria neste fim de semana, tanto pelo programa de troca de ingressos por notas fiscais como para tentar negociar os direitos de transmissão pela TV. Já Flamengo e Barras confirmaram o jogo domingo, no estádio Juca Fortes, com ou sem aprovação da Federação, e devem liderar o bloco de opositores à idéia com 4 de Julho, Cori-Sabbá, Princesa do Sul, Piauí, Picos, e Parnahyba. A maioria alega prejuízos por falta de receita das bilheterias.

Parnahyba quer ficar fora do "Sua Nota"
O que os opositores do adiamento talvez não saibam é da postura do Parnahyba Sport Club, tão ou mais radical que as de Flamengo e Barras. O Tubarão é contra o adiamento por ter se organizado em tempo recorde e já ter feito um trabalho de divulgação para venda de ingressos e distribuição de prêmios. "Até o transporte já foi pago. Se o time não viajar agora, perdemos 50% desse valor", disse o diretor de Patrimônio, Francisco Viana.

Mas o ponto mais importante levantado pelos azulinos são os prejuízos que a troca de ingressos por notas fiscais gera no litoral. O Parnahyba reclama, de novo, que os bilhetes do programa são trocados apenas para arquibancada, e as vendas na geral, local menos privilegiado, ficam prejudicadas. "É melhor para nós vendermos ingressos, essa nota só nos dá prejuízo. Não vamos aceitar essa imposição, só estaremos no programa se tiver o nosso aval, se negociarmos os valores", antecipou Viana.
 
Caiçara ainda se prepara
O adiamento, no entanto, é salutar para o outro time de Campo Maior. O novo presidente do Caiçara Esporte Clube, Nonato Gomes, não quis revelar quem são e quantos, mas adiantou que jogadores do futebol cearense chegariam na noite de ontem ao Piauí para a disputa do Estadual. O time treinado pelo professor Lopes ainda está em formação. "O Caiçara vive uma situação diferenciada dos outros clubes. Nossa diretoria só foi formada agora. Estamos fazendo uma equipe mesclada, com pratas da casa e contratações de fora", explicou.

No que depender da vontade da maioria dos clubes, o Caiçara terá que se apressar para a estréia no domingo. A não ser que a FFP consiga costurar um acordo nos bastidores antes mesmo da reunião propriamente dita, com portas trancadas na sala da presidência, o que é comum na Federação. Mas com clubes fortes como Flamengo e Barras contrários, qual será o final dessa história? O torcedor só espera por uma coisa: que se chegue de uma vez por todas ao desfecho.

Fábio Lima
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