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"Falta a população fazer sua parte", diz presidente da FMS sobre possibilidade de colapso

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Profissionais de saúde exaustos, falta de luvas, falta de medicamentos no mercado e 100% dos leitos públicos ocupados. Essa é a realidade do sistema de saúde em Teresina que enfrenta mais um pico da Covid-19. Em entrevista ao Notícia da Manhã, o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Gilberto Albuquerque, mais uma vez, alerta para situação crítica e chama atenção para que a população cumpra as medidas de prevenção ao novo coronavírus. Ele disse ainda que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) discute a locação de leitos na rede privada. 

"Dependemos da população. O que serviço público podia fazer, o que tínhamos de disponibilidade no mercado, a gente adquiriu. Treinamos pessoas, adequamos hospitais, instalamos equipamentos e agora entramos na limitação de insumos, pois não tem medicamentos. Falta o lado da população, a população fazer a sua parte, obedecer as orientações sanitárias para que a gente possa conter essa onda que está enorme", disse o presidente da FMS. 


"Se você tiver um paciente em UTI e não tiver remédio adequado, a chance dele morrer é 99%"

Gilberto Albuquerque diz que, desde quando assumiu a FMS em janeiro deste ano, a epidemiologia já apontava para o aumento de casos a partir da segunda quinzena de fevereiro. Ele conta que, antecipadamente, foram adquiridos 40 kits de UTI (respirador, monitor e bomba de transfusão), quase todos já instalados. Contudo, ele ressalta que, no momento, faltam medicamentos no mercado para o tratamento de pacientes em UTIs Covid

"A situação mais crítica é em relação a luvas. Não temos luvas no mercado, em lugar nenhum pra vender. Até luva que vende em unidade nas farmácias já foram compradas. Também não temos empresas que forneçam os medicamentos que mantenham um paciente intubado satisfatoriamente. Se você tiver um paciente em UTI e não tiver remédio adequado, a chance dele morrer é 99%", disse Albuquerque. 

Ele também revelou o perfil dos pacientes mais graves. "O paciente que mais complica por covid são aqueles que mais têm comorbidades. Como passaram um ano sem assistência adequada, a possibilidade é que esse paciente tenha descompensado durante o ano que ele não teve assistência, não teve acompanhamento médico e que esse seja o fator que está levando eles a entrarem em UTI, mais descompensados, portanto, com tempo de permanência maior", revela. 


Profissionais de saúde exaustos

O médico relata ainda a situação de exaustão por qual passa os profissionais de saúde que, segundo ele, pode afetar no dia a dia. 

"Quem trabalha nessa área hoje, trabalha em três ou quatro vínculos, ou seja, são mais de 30 plantões por mês. Sem parar de jeito nenhum. Então, estamos com um ano nesse pico, muita gente já está no limite do limite e vamos começar a ter problemas também com servidores porque à medida que você trabalha com cansaço, você diminui a atenção, a resolutividade", pontuou o presidente da FMS. 


Graciane Sousa
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